Governo açoriano diz não ter como confirmar acesso indevido a dados pessoais de deputados do Chega
Hoje 17:33
— Lusa/AO Online
“Não é possível aos
serviços da Secretaria Regional da Saúde e da Segurança Social (SRSSS)
verificar, com base nos seus próprios sistemas ou registos, se ocorreram
alegados acessos ou consultas aos dados pessoais, nem identificar
eventuais utilizadores, datas, serviços, informação ou fundamentos
associados a esses acessos”, alega o executivo de coligação, em resposta
a um requerimento entregue pelo Chega no parlamento regional.A
resposta do Governo açoriano surge na sequência de um requerimento
apresentado pela bancada do Chega na Assembleia Legislativa dos Açores,
feita na passada semana, em que perguntava ao executivo se tem
conhecimento da existência de “acessos ou consultas a dados pessoais de
deputados do partido, membros do respetivo gabinete parlamentar, ou seus
familiares”, através dos sistemas informáticos da Segurança Social.“Foi
detetada concentração, repetição ou qualquer outro padrão de acessos,
envolvendo deputados, membros do gabinete parlamentar do Chega/Açores, e
ou respetivos familiares?”, questionava o partido, no mesmo
requerimento, onde perguntava também se existem mecanismos para “impedir
que trabalhadores com acessos aos sistemas da Segurança
Social" consultem dados de cidadãos "sem motivo legítimo”.Na
resposta ao Chega, o executivo liderado pelo social-democrata José
Manuel Bolieiro entende que é preciso distinguir entre um “alegado
acesso” e uma “eventual ilicitude”, adiantando que a mera circunstância
de um técnico ter acedido a dados de um determinado cidadão, não
permite, por si só, concluir que foi “indevido”.“Os
trabalhadores da Segurança Social utilizam os sistemas de informação no
exercício das respetivas funções, de acordo com os perfis de acesso e
níveis de autorização que lhes são atribuídos, sendo os acessos
efetuados no âmbito das competências e responsabilidades funcionais que
lhes estão cometidas”, esclarece o Governo.O
executivo entende também que a forma como o Chega coloca a questão
acaba por levantar “suspeitas” sobre todos os funcionários da Segurança
Social nos Açores, ressalvando que cada utilizador “dispõe apenas das
permissões estritamente necessárias ao desempenho das suas funções”.“O
requerimento do Chega, da forma como está instruído, lança a suspeita
sobre todos os funcionários da instituição. A utilização dos sistemas de
informação encontra-se, naturalmente, sujeita às normas aplicáveis em
matéria de proteção de dados pessoais, confidencialidade, segurança de
informação e sigilo profissional, bem como dos deveres deontológicos e
funcionais inerentes ao exercício de funções públicas”, insiste o
Governo.O executivo de coligação lembra também que os deputados do Chega, os membros dos
respetivos gabinetes e familiares “não dispõem de um estatuto especial”
que determine a impossibilidade de se aceder aos seus dados pessoais
por parte dos técnicos da Segurança Social.“O
que está em vigor, à semelhança do que sucede relativamente a qualquer
cidadão, é que o acesso aos dados pessoais se encontra associado a uma
finalidade legítima e a uma necessidade funcional, dentro dos perfis e
autorizações atribuídos aos respetivos utilizadores”, refere o Governo,
na mesma resposta.O grupo parlamentar do
Chega na Assembleia Regional tinha exigido, a 18 de agosto, uma
“investigação urgente”, após uma denúncia externa sobre alegados acessos
indevidos a dados pessoais de deputados do partido, funcionários e
familiares, nos sistemas da Segurança Social regional.O
partido classifica a situação como “grave para a democracia” e pede
respostas objetivas sobre quem acedeu aos dados, com que finalidade e
com que base legal, lembrando que as bases de dados do Estado “não podem
ser usadas para devassar a vida privada ou investigar adversários
políticos”.