Governo açoriano com regime para assegurar “transparência máxima” no apoio às freguesias
29 de dez. de 2020, 16:56
— Lusa/AO Online
“Nós
vamos, exatamente em diálogo, assegurar a criação de um regime que
preveja um relacionamento técnico e financeiro, entre a região e o
orçamento regional e as autarquias e freguesias, que possa prever
estabilidade, regularidade e previsibilidade”, declarou Bolieiro.O
líder do executivo regional destacou que a criação de um novo regime
jurídico de apoio ao poder local pretende “tratar com transparência
máxima e de forma equitativa as 155 freguesias” do arquipélago, “de modo
a que haja critérios objetivos” na atribuição dos apoios.José
Manuel Bolieiro falava no Palácio de Sant’Ana, sede da presidência do
governo açoriano, em Ponta Delgada, após uma audiência com o presidente
da delegação regional dos Açores da Associação Nacional de Freguesias
(Anafre), Jaime Rita.O líder do executivo regional deixou o “compromisso” de “reforçar meios e recursos” para as freguesias açorianas.Salientando
que o processo de alteração do quadro legislativo para a
descentralização de competências é trabalho para “um mandato”, Bolieiro
realçou a necessidade de “garantir a equidade” entre as freguesias, mas
ressalvou que a legislação atual já permite a “cooperação” entre o
Governo Regional e as autarquias.“Não
estamos no ponto de partida no zero. Há quadro legal que permite essa
relação [com as autarquias]. A construção do novo quadro legislativo tem
de ser feito com diálogo”, apontou.O
presidente do Governo dos Açores destacou a criação de uma Direção
Regional da Cooperação com o Poder Local na orgânica do executivo e
defendeu que “um euro nas mãos de um autarca de freguesia provavelmente
rende mais do que um euro no bolso do Orçamento do Estado”.“Eu
tenho a profunda convicção do valor da descentralização como importante
meio de desenvolver territórios e de promover o progresso das
populações”, declarou.Na ocasião, Jaime
Rita mostrou a “disponibilidade” para trabalhar com o governo e
salientou a necessidade de uma “descentralização efetiva e real”, bem
como de “promover o estatuto do eleito local”.O
autarca enalteceu também a criação da Direção Regional da Cooperação
com o Poder Local, liderada por Ricardo Madruga da Costa. “Demos
também nota ao senhor presidente de finalmente termos uma direção
regional vocacionada para trabalhar com as autarquias locais e isso
apraz-nos registar com muita satisfação”, afirmou.No
continente, o processo de descentralização de competências está já
noutro momento, mas, apesar de a celebração de acordos para a passagem
de competências dos municípios para as freguesias em 2021 ter
avançado nos últimos meses, ainda está muito aquém do esperado, segundo o
presidente da Associação Nacional de Freguesias (Anafre).De
acordo com Jorge Veloso, até meados de dezembro cerca de 90 municípios
tinham assinado autos de transferência de competências com mais de 700
freguesias, “um número muito baixo”.Estes
autos de transferência de competências permitem que as freguesias
recebam os correspondentes valores, a transferir diretamente pela
Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), que as deduz mensalmente aos
montantes previstos no Orçamento do Estado para os orçamentos
municipais.