Governo acautela casos de docentes doentes impedidos de obter atestado médico
15 de jul. de 2025, 12:01
— Lusa/AO Online
A
Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou na segunda-feira
para as dificuldades que muitos docentes estavam a atravessar para
conseguir o atestado médico que lhes permite mudar de escola por
questões de saúde, tendo por isso pedido ao Governo que prolongasse o
prazo, que termina hoje.Os professores
doentes ou com familiares doentes têm até às 18h00 de hoje para entregar o
atestado, mas dizem que não conseguem o documento a tempo porque as
juntas médicas e os centros de saúde não estão a dar resposta a todos os
pedidos.Em declarações à Lusa, o
Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) lembrou que o prazo
inicial já foi prolongado e que adiar por mais dias a submissão dos
documentos teria “um impacto negativo na gestão da colocação dos
docentes no âmbito da mobilidade interna”.Por
isso, o MECI mantém o prazo, mas garante que nos casos em que se
confirme que o atestado não foi apresentado “por motivo não imputável ao
docente será o mesmo admitido ao procedimento”, sendo ordenado tendo em
conta a idade e as preferências de escolas.Além
disso, acrescenta o MECI, “em fase a decorrer oportunamente, caso o
docente o pretenda e solicite, a DGAE revê a situação podendo ser obtida
nova colocação, se a mesma coincidir com preferência superior à
inicialmente obtida”.Nos últimos dias, a Fenprof recebeu inúmeros relatos de professores pedindo ajuda por não conseguirem cumprir com os prazos."Em
muitos casos, os docentes aguardam há vários meses pela realização da
Junta Médica de Avaliação de Incapacidade, sem que as Unidades Locais de
Saúde (ULS) disponham de recursos humanos para dar resposta em tempo
útil. Há situações em que as juntas médicas estão a ser marcadas para
data a mais de um ano de distância, tornando impossível a obtenção do
atestado médico de incapacidade multiúsos (AMIM) dentro do prazo
fixado", denunciou.As novas regras da
Mobilidade por Doença (MpD), aprovadas em Conselho de Ministros em
março, permitem que os atestados médicos possam ser pedidos nas juntas
médicas e nos centros de saúde, mas a Fenprof diz que há muitas ULS que
"afirmam desconhecer" esta novidade.O MECI
voltou agora a sublinhar que celebrou com o Ministério da Saúde um
protocolo com o "compromisso de desenvolver formas e processos de
cooperação, de forma a considerar prioritários os requerimentos dos
interessados que formalizem pedido" de mobilidade por doença.O novo regime de mobilidade por doença entra em vigor no ano letivo de 2025/2026, ou seja, já a partir de setembro.As mudanças neste regime foram negociadas com os sindicatos e acordadas com maioria das estruturas sindicais. As
novas regras vieram alterar o diploma que estava em vigor desde 2022 e
que foram sempre muito contestadas, nomeadamente o facto de a
transferência de um professor estar dependente da capacidade de
acolhimento da escola.Agora, a renovação
da mobilidade por doença poderá ser feita por mais dois anos escolares,
desde que se mantenham os requisitos, as condições para a sua concessão e
as necessidades das escolas.