Govermo francês cai após chumbo de voto de confiança no parlamento
8 de set. de 2025, 17:21
— Lusa/AO Online
Um total de 364 deputados chumbaram a
moção de confiança, enquanto 194 apoiaram-na, forçando a queda do
Governo liderado por Bayrou, que terá agora de apresentar a renúncia ao
Presidente francês, Emmanuel Macron, o que deverá acontecer na
terça-feira.Pela primeira vez na história
da Quinta República, um governo caiu durante uma moção de confiança,
segundo a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, que
referiu que dos 589 deputados que compõem a Câmara, 573 estiveram
presentes e, destes, 558 votaram.Depois do
anúncio do resultado da votação, solicitada pelo próprio Bayrou, este
deixou a Assembleia Nacional sem fazer declarações.Após
a apresentação da demissão do Governo centrista, o chefe de Estado
francês deverá nomear um primeiro-ministro, que se encarregará de
constituir um novo governo.O presidente
dos deputados do Partido Socialista, Boris Vallaud, falou de um momento
“bastante triste” e “bastante grave” na Assembleia Nacional após a queda
de François Bayrou, devido à falta de apoio à sua proposta de orçamento
do Estado para 2026, em que previa 44 mil milhões de euros de poupanças
para reduzir a dívida do país.Já a
presidente dos deputados da França Insubmissa (LFI, esquerda radical),
Mathilde Panot, saudou o resultado da votação de confiança, perante a
imprensa presente à saída da Assembleia Nacional.“O
senhor Bayrou queria uma hora da verdade, e creio que a teve”, afirmou
Mathilde Panot, acrescentando que “a partir de amanhã”, terça-feira, o
partido apresentará uma moção de destituição contra Macron.Para
a presidente do grupo LFI, o facto de quase dois terços dos deputados
terem votado contra a confiança mostra que “a política macronista (...) é
minoritária tanto na Assembleia Nacional como no país”.“Perante
esta impostura que vem a lume, não queremos mais um primeiro-ministro
que continue a mesma política, e a questão que se coloca ao país é a da
saída de um Presidente da República que se recusa a respeitar a
soberania do povo”, referiu.Desde o início
do segundo mandato de Emmanuel Macron, em maio de 2022, sucederam-se na
liderança do executivo Elisabeth Borne (até janeiro de 2024), Gabriel
Attal (até setembro de 2024), Michel Barnier (até dezembro de 2024) e
François Bayrou.O Presidente francês, cada
vez menos popular e prestes a enfrentar algumas manifestações que
prometem parar o país, terá duas opções: escolher um novo
primeiro-ministro de direita ou do centro que seja aceite pelo PS - que
se declara pronto para governar - ou convocar eleições antecipadas,
podendo ambas mergulhar a França numa nova crise política.