Gouveia e Melo recusa "ideia ridícula" de que o seu futuro depende do reforço de meios da Marinha
4 de out. de 2024, 10:54
— Lusa/AO Online
“É
uma ideia um bocado ridícula. Primeiro, os militares não fazem
chantagem com o poder político. Pelo contrário, o poder político é que
manda nos militares”, afirmou, em declarações aos jornalistas, em
Lesbos, Grécia. O Expresso escreve hoje,
sem citar fontes, que o Presidente da República gostava de reconduzir o
almirante Gouveia e Melo por mais dois anos no cargo de chefe do
Estado-Maior da Armada (CEMA) — para lhe travar uma candidatura
presidencial.Contudo, acrescenta o jornal,
“o militar, que continua a liderar as sondagens para Belém, só aceitará
ficar à frente da Marinha se tiver garantias de que o Governo vai
aumentar o investimento de forma significativa na força naval
portuguesa”. Questionado pelos jornalistas
se a sua disponibilidade para ficar mais dois anos como CEMA – o
mandato termina em Dezembro – depende do reforço de meios da Marinha,
Gouveia e Melo recusou: “Não, é não, é não”. Instado
a responder sobre se um eventual reforço de meios condicionaria uma
decisão sobre o seu futuro, nomeadamente uma candidatura presidencial,
Gouveia e Melo insistiu que não. “Não, o
meu futuro está condicionado pela minha cabeça, pelo que eu acho que
devo fazer e como devo contribuir para a sociedade portuguesa”,
acrescentou.Gouveia e Melo escusou-se a
clarificar se tenciona ou não apresentar uma candidatura às eleições
presidenciais, sublinhando que os militares no ativo devem separar essas
funções “de qualquer especulação sobre um futuro que ninguém sabe o que
vai ser e é um futuro incerto”. Ainda
questionado sobre as sondagens que o colocam bem posicionado numa
corrida presidencial, Gouveia e Melo disse que não se orienta por
sondagens porque “qualquer pessoa que se oriente pelas sondagens pode
ter surpresas”. “A decisão está na minha
cabeça. Essa decisão não é revelada porque não tenho que revelar. Não
alimento estados de espírito nem especulação”, disse Gouveia e Melo, que
se encontra em Lesbos, Grécia, a acompanhar a visita do ministro da
Defesa Nacional, à missão da Polícia Marítima na missão da força
europeia de controlo de fronteiras, Frontex.O
almirante Henrique Gouveia e Melo, 63 anos, tomou posse como chefe do
Estado-Maior da Armada em 27 de dezembro de 2021 e termina o seu mandato
de três anos em dezembro de 2024. Os mandatos dos chefes militares
podem ser prorrogáveis por dois anos.