Gouveia e Melo aponta para aumento de missões de acompanhamento de navios russos
15 de mai. de 2024, 11:22
— Lusa/AO Online
Em entrevista ao Diário de Notícias e
à TSF, o almirante Gouveia e Melo indicou que o
acompanhamento de navios russos sempre existiu, mas numa quantidade
completamente diferente.“Há três anos o
número de acompanhamentos que fazíamos era inferior a uma dezena por
ano. Só no ano passado fizemos 46 e já este ano fizemos 14. Esses navios
da Federação Russa, que podem ser militares ou mercantes mas com
atividade militar conhecida, podem transitar nas nossas águas no sentido
de irem da posição A para a posição B ou então podem ter interesses nas
nossas águas. E as duas coisas acontecem simultaneamente”, disse.De
acordo com o chefe de Estado-Maior da Armada Portuguesa, o que a
Marinha faz é vigiar, inibir que façam operações em águas portuguesas.O almirante Gouveia e Melo adiantou também que já aconteceram “situações desagradáveis nesses seguimentos”, sem especificar.“Não
vou aqui referir os assuntos operacionais concretos, mas não só
connosco, mas com a própria Força Aérea também já aconteceram situações
em que normalmente, nos períodos anteriores a este período de tensão,
nunca aconteceriam e que nós consideramos que podem ser um escalar”,
disse.Na entrevista, o almirante Gouveia e
Melo contextualiza, afirmando que a invasão que a Federação Russa fez à
Ucrânia veio mudar o comportamento internacional.“Essa
mudança pode ser de tal forma estruturante que pode destruir as bases
que temos hoje. Destruindo essas bases, tudo o que hoje consideramos
como garantido, que é a segurança na Europa, a NATO, a União europeia,
que são pilares essenciais para a nossa segurança e para a nossa
prosperidade, podem ser postos em causa”, referiu.O
chefe do Estado-Maior das Forças Armadas assegurou ainda, na
entrevista, que a Marinha está preparada para o combate e defendeu um
modelo de serviço militar que permita mobilizar rapidamente os jovens,
caso seja necessário.