Google diz que entregou a Bruxelas plano que evitará desfazer-se de parte do negócio
14 de nov. de 2025, 13:34
— Lusa/AO Online
A gigante tecnológica tinha
até à última segunda-feira para responder às preocupações do Executivo
comunitário e um porta-voz da empresa afirmou que esta apresentou
um plano que "aborda integralmente a decisão da Comissão Europeia sem
uma rutura disruptiva que prejudicaria os milhares de editores e
anunciantes europeus que utilizam as ferramentas da Google para
impulsionar os seus negócios".Bruxelas
multou em setembro a Google por ter favorecido os seus próprios serviços
de tecnologia publicitária em detrimento dos concorrentes, abusando da
posição dominante no mercado e prejudicando editores, anunciantes e
consumidores. A Google oferece serviços
neste setor com duas ferramentas de compra para anunciantes (Google Ads e
DV 360), outra para os editores gerirem espaços publicitários
(DoubleClick for Publishers ou DFP) e uma plataforma que coloca em
contacto ambas as partes do negócio, a AdX.A
investigação de Bruxelas concluiu que, desde "pelo menos" 2014, a
Google abusou de posição dominante nestes mercados para favorecer a
plataforma AdX nos leilões de anúncios organizados pela DFP,
informando-a, por exemplo, do valor da aposta mais elevada feita por um
concorrente e que tinha de superar para ganhar um determinado contrato.De
acordo com o porta-voz da Google, a empresa apresentou agora um plano
para "pôr fim" a estas práticas, oferecendo aos editores a possibilidade
de fixar preços mínimos distintos para diferentes licitações quando
utilizam o Google Ads. A empresa garante
que também propôs "mudanças significativas para abordar qualquer
possível conflito de interesses", como uma maior interoperabilidade das
ferramentas publicitárias "para oferecer aos editores e anunciantes mais
opções e flexibilidade". A Google
insistiu que irá recorrer da multa da Comissão Europeia, porque Bruxelas
não teve em conta a realidade "altamente competitiva e em rápida
evolução" que, na opinião da gigante tecnológica, o mercado publicitário
enfrenta atualmente, mas ao mesmo tempo afirmou que "continuará a
cooperar" com Bruxelas."Estamos empenhados
em encontrar uma solução eficaz que proporcione certeza e coerência aos
nossos clientes na Europa, nos Estados Unidos e a nível mundial",
afirmou o porta-voz. A justiça dos Estados
Unidos também decidiu, em abril passado, que a Google cometeu práticas
monopolistas na publicidade 'online'.