Gomes garante que 83.ª edição não está em perigo apesar da "bomba" das buscas
Volta
3 de ago. de 2022, 12:46
— Lusa/AO Online
“Estas
desagradáveis surpresas das últimas semanas e, em particular, este caso
concreto de hoje - eu ainda não tenho a noção exata da dimensão do que
estamos a falar -, tiram a motivação a qualquer um”, desabafou o diretor
da prova ‘rainha’ do calendário nacional.Em
declarações à agência Lusa, Joaquim Gomes esclareceu que as notícias
sobre um eventual ‘cancelamento da 83.ª edição, que vai para a estrada
na quinta-feira, em Lisboa, “são exageradas”, embora reconheça que “há
um sentimento de vergonha relativamente a tudo isto que se está a
passar”.“Efetivamente, quando este
ambiente começava a acalmar, cai novamente uma bomba destas… obviamente
que isto é desmotivante para qualquer um. Vou mandar a toalha ao chão?
Claro que não, mas estou preocupado”, admitiu.O
diretor da Volta a Portugal mostrou-se apreensivo com o impacto que as
buscas realizadas hoje pela Polícia Judiciária possa ter Federação
Portuguesa de Ciclismo e na Podium, a empresa organizadora, “que não têm
culpa nenhuma disto” e que, “aliás, são as duas entidades mais
prejudicadas”, mas, em particular, “nos municípios e marcas que estão
envolvidos na Volta e se esforçam por acreditar num evento que é, de
facto, uma excelente ferramenta de promoção, com enorme notoriedade e
simbolismo”.“Depois do calvário que foi a
notícia da W52-FC Porto, estava longe de pensar que essa péssima
mensagem que passou e podia ter alterado a forma de estar, pelos vistos,
de algumas pessoas que ainda estavam nesta caravana [não fosse
entendida]”, pontuou, ressalvando, no entanto, não conhecer os detalhes
do caso. A PJ realizou hoje buscas “em
locais ligados a equipas de ciclismo” no âmbito da operação ‘Prova
Limpa’, confirmou à Lusa fonte ligada à investigação, esclarecendo que o
objetivo “principal foi a recolha de prova, nomeadamente documentação”.A
mesma fonte detalhou que a PJ “realizou buscas em vários pontos do
país, em simultâneo, em locais ligados a equipas de ciclismo, no âmbito
da operação ‘Prova Limpa’”, tendo estas “como objetivo principal a
recolha de prova, nomeadamente de documentação e não a detenção de
qualquer suspeito”.As buscas acontecem a
dois dias do arranque da 83.ª Volta a Portugal em bicicleta, que estará
na estrada entre quinta-feira e 15 de agosto.Entre
os ciclistas cuja casa foi alvo de buscas estão Francisco Campos,
entretanto afastado da equipa Efapel, e Daniel Freitas, excluído da
Volta a Portugal pela Rádio Popular-Paredes-Boavista, segundo
confirmaram à Lusa, respetivamente, os diretores desportivos José
Azevedo e José Santos.Também um corredor
da Glassdrive-Q8-Anicolor está entre alvos das buscas, com o diretor
desportivo Rúben Pereira a preferir não revelar a identidade do mesmo.No
final de abril, 10 corredores da W52-FC Porto foram constituídos
arguidos e o diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, foi mesmo
detido, assim como o seu adjunto, José Rodrigues, no decurso da operação
‘Prova Limpa’, a cargo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP)
do Porto.“A operação policial, envolvendo
um total de cerca de 120 elementos provenientes da Diretoria do Norte e
ainda das Diretorias do Centro e do Sul, da Unidade Nacional de Combate
à Corrupção e dos Departamentos de Investigação Criminal de Braga, Vila
Real e Guarda, contou ainda com a colaboração da ADoP”, detalhou a PJ,
em 24 de abril, indicando que durante a mesma “foram apreendidas
diversas substâncias e instrumentos clínicos, usados no treino dos
atletas e com impacto no seu rendimento desportivo". A
União Ciclista Internacional (UCI) retirou, na semana passada, a
licença desportiva à W52-FC Porto, depois de oito dos seus ciclistas,
além de dois elementos do ‘staff’ terem sido suspensos preventivamente
pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).