GNR da Guarda aposta na sensibilização para redução de queimas e queimadas
Incêndios
23 de fev. de 2023, 11:58
— Lusa/AO Online
Segundo
o capitão Óscar Capelo, na análise da origem dos incêndios rurais na
região da Guarda, “há uma que salta logo à vista, que são as queimas e
as queimadas” e que exige “uma necessidade de sensibilização” das
populações.“Cada vez melhor percebemos
quem é que são as pessoas alvo, as pessoas que têm esta necessidade do
uso do fogo e, nesta fase, estamos a ir ter com elas, para que
consigamos sensibilizar, para que consigamos debelar este grande número,
ainda, de causas que temos relativamente a queimas e a queimadas”,
referiu o responsável aos jornalistas no final da apresentação pública
da Campanha Floresta Segura 2023.Durante a
sessão, que decorreu na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, com a
participação de autarcas e de representantes das várias entidades
intervenientes no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), o
oficial da GNR adiantou que em 2020, 2021 e 2022, no distrito da
Guarda, as queimas e queimadas estiveram na origem de 53% dos fogos
rurais.Óscar Capelo lembrou que existem outras alternativas a esta prática tradicional como por exemplo a biotrituração.“São
apostas que têm de ser feitas e o caminho poderá ser por aí, porque não
nos podemos sustentar em hábitos culturais, usar o fogo como um hábito
que vem dos antepassados. Percebendo que há uma problemática associada,
temos de conseguir alternativas para conseguir desfazer-nos, neste caso,
de lenhas, daquilo que é muitas vezes o resultado da gestão dos
combustíveis”, justificou.Para mudar os
hábitos de utilização do uso do fogo na gestão dos combustíveis, a GNR
vai continuar a apostar na sensibilização das populações, entre os meses
de fevereiro e de julho.O capitão do
Comando Territorial da GNR da Guarda, também evidenciou que com a
Campanha Floresta Segura, de ano para ano têm sido sinalizados menos
locais para limpeza em redor de habitações e dos aglomerados
populacionais, o que tem permitido “reduzir o risco para pessoas e
bens”.Na sua intervenção, o responsável
referiu, entre outros aspetos, que em 2022, a investigação realizada
pela GNR no distrito da Guarda permitiu identificar 16 pessoas e efetuar
oito detenções pela alegada prática de crime de incêndio (sete por
queimas e queimadas e uma por utilização de motorroçadora).Na
abertura da sessão, o comandante do Comando Territorial da GNR da
Guarda, tenente-coronel Pedro Gonçalves, referiu que o combate aos
incêndios “tem de ser planeado de forma atempada e integrada” para que
as entidades envolvidas possam “fazer mais e melhor”.Salientou
que a GNR tem competências na sensibilização das populações para a
prevenção, na fiscalização, na vigilância e na deteção e investigação de
incêndios rurais.Em relação à sensibilização, salientou que a aposta é dirigida para as populações e também para a comunidade escolar.Pedro
Gonçalves também admitiu que o ano passado, em matéria de incêndios
florestais, “não correu bem” no distrito da Guarda, onde arderam seis
mil hectares, para além dos 18 mil que foram destruídos pelo fogo que
atingiu a serra da Estrela.