Glaciares do Canadá, EUA e Suíça perderam 12% do gelo entre 2001 e 2024
25 de jun. de 2025, 16:12
— Lusa
O
trabalho baseia-se numa investigação divulgada na revista Nature em
2021, mostrando que o degelo duplicou entre 2010 e 2019 em comparação
com a primeira década do século XXI e revela que “o degelo glaciar
continuou a um ritmo alarmante”, refere um comunicado do Instituto
Hakai, um centro de investigação científica e ensino, localizado na ilha
Calvert, no Canadá."Nos últimos quatro
anos, os glaciares perderam o dobro do gelo em comparação com a década
anterior", afirma Brian Menounos, professor da Universidade do Norte da
Colúmbia Britânica, no Canadá, cientista-chefe do Instituto Hakai e
autor principal do artigo, citado no comunicado.O
estudo, que destaca a velocidade e gravidade do degelo glaciar, aponta
como as suas principais causas o clima quente e seco e as impurezas do
ambiente que escurecem as massas de gelo e precisa que na Suíça a
principal causa do escurecimento foi o pó do deserto do Saara que o
vento empurra para norte, enquanto na América do Norte “foram as cinzas,
ou carbono negro, dos incêndios florestais”.“Em
contraste com a neve branca refletora, um glaciar coberto de carbono
negro absorverá mais radiação solar. Isto aquece os glaciares e acelera o
derretimento”, refere o comunicado.O
trabalho utiliza imagens aéreas e observações terrestres de três
glaciares no oeste do Canadá, quatro no noroeste do Pacífico dos EUA e
20 na Suíça que estão a derreter rapidamente e são importantes para o
turismo e a obtenção de água doce, mostrando que no Glaciar Haig, nas
Montanhas Rochosas do Canadá, o escurecimento glaciar foi responsável
por quase 40% do degelo entre 2022 e 2023.Menounos
alerta que o “efeito albedo”, ou seja, a capacidade de uma superfície
refletir a radiação solar, não é tido em conta nas previsões climáticas
para a perda de glaciares, pelo que estas massas de gelo podem estar a
derreter mais rapidamente do que se imagina."Se
pensarmos: 'Bem, temos 50 anos antes de os glaciares desaparecerem', na
verdade podem ser 30", diz Menounos, acrescentando serem necessários
“melhores modelos” para as previsões. Chamando
a atenção para o impacto do degelo nos ecossistemas humanos e
aquáticos, o cientista defende que a sociedade deve questionar-se sobre
as implicações da perda de gelo dos glaciares."Precisamos
de começar a preparar-nos para uma altura em que os glaciares
desaparecerão do oeste do Canadá e dos Estados Unidos”.