Giorgia Meloni nega qualquer simpatia ou proximidade ao fascismo
Itália
25 de out. de 2022, 16:12
— Lusa/AO Online
“Nunca
tive qualquer simpatia ou proximidade com regimes antidemocráticos,
incluindo com o fascismo”, afirmou durante o seu primeiro discurso
perante a Câmara dos Deputados. Giorgia
Meloni, que começou a sua carreira política nas alas jovens do partido
pós-fascista Movimento Social, considerou que as leis raciais contra os
judeus, aprovadas pelo regime de Benito Mussolini, “foram o ponto mais
baixo” da história italiana.Numa
entrevista dada quando tinha 19 anos, Meloni defendeu que Benito
Mussolini foi “um bom político” e que “tudo o que fez, fez pela Itália. No
entanto, desde então, a nova primeira-ministra italiana tem tentado
afastar-se dessa afirmação, tendo mesmo publicado, durante a campanha
eleitoral para as eleições de setembro, um vídeo no qual proclamava a
sua distância face ao fascismo do ditador Benito Mussolini, aliado de
Hitler na II Guerra Mundial.“Lutaremos
contra qualquer forma de racismo, antissemitismo, violência política e
discriminação”, acrescentou, num discurso de hoje, que durou mais de uma
hora e foi interrompido por aplausos da maioria governamental, composta
pelo seu partido e pelos dois parceiros da coligação, o Liga e o Força
Itália.O discurso será seguido por um voto de confiança, que constitui o primeiro passo para a sua investidura.Na
sua apresentação ao parlamento, Meloni falou também sobre a defesa do
meio ambiente, salientando que “não há ambientalista mais convicto do
que um conservador”.Segundo referiu, o que
difere é que um conservador quer “defender a natureza com o homem
dentro. Combinar a sustentabilidade ambiental, económica e social”.Sobre
a família, que tem um ministério próprio neste executivo, explicou que
“um plano imponente, económico mas também cultural, está previsto para
redescobrir a beleza da paternidade e para recolocar a família no centro
da sociedade”.O seu compromisso, avançou,
é “aumentar os valores dos subsídios por cada filho e ajudar os jovens
casais a obter crédito para conseguirem comprar a sua primeira casa”.Citando
Montesquieu, que disse que “a liberdade é aquele bem que faz desfrutar
de todos os outros bens”, Meloni assegurou que “este Governo de
centro-direita nunca limitará as liberdades existentes dos cidadãos e
das empresas”.“Veremos quando os factos
forem comprovados, inclusive em matéria de direitos civis e aborto, quem
estava a mentir e quem estava a dizer a verdade na campanha eleitoral
sobre as nossas verdadeiras intenções”, acrescentou Meloni, referindo-se
aos críticos que garantiram que o partido iria alterar a lei do direito
ao aborto quando chegasse ao Governo.