Gigantes tecnológicos põem em perigo o pluralismo e a diversidade
4 de nov. de 2025, 12:42
— Lusa
Helena Sousa, que falava em
Lisboa na conferência organizada pela ERC "A Comunicação Social e o
Futuro Digtial", disse que as empresas tecnológicas têm um “grande poder
em matéria de proeminência de conteúdos, com sistemas algorítmicos que
geram dependência e filtram os conteúdos de forma opaca, pondo em perigo
o pluralismo e a diversidade”.“Estes
mecanismos de seleção e direcionamento de conteúdos são mais eficazes a
captar audiências e, consequentemente, publicidade”, acrescentou. A
presidente da ERC ressalvou que “as pessoas acedem cada vez mais a
notícias por outras vias que não os próprios órgãos de comunicação
social”, utilizando “motores de busca, redes sociais, ‘e-mail’,
notificações móveis, agregadores e outros”, o que coloca a “liberdade em
territórios de opacidade, aos quais seria urgente, como já fazem outros
países, dedicar enorme atenção”.Helena
Sousa lembrou também o “volume crescente de conteúdos gerados por
inteligência artificial (IA)”, que estão “a tomar conta da ‘internet’”,
aumentando a “incerteza sobre o que é real”.Na
mesma linha, a responsável afirmou que estes conteúdos distorcem a
realidade e “alimentam sentimentos de medo e de insegurança perante o
futuro”.“A desinformação é um fenómeno com efeitos transversais em todos os domínios da vida social”, acrescentou. Helena
Sousa ressalvou que o novo quadro regulatório europeu advêm do
reconhecimento de “riscos sistémicos” que são necessários combater “pelo
impacto que têm sobre os direitos fundamentais, dignidade humana,
liberdade de expressão, liberdade e pluralismo dos ‘media’, reserva da
vida privada, não discriminação, proteção dos consumidores, sobre
processos democráticos e, em especial, a integridade dos processos
eleitorais”.A presidente da ERC afirmou
também que, “em 20 anos, o panorama mediático alterou-se profundamente,
nas suas dimensões tecnológica e sociocultural”, sendo que hoje existem
“novos desafios que exigem, de facto, um novo olhar”.“Do
ponto de vista económico, a tendência de recessão do setor
intensificou-se”, acrescentou, informando que “em 2008, havia em
Portugal perto de 3.100 títulos de imprensa registados na ERC”, número
que no final de 2024 “tinha caído para quase metade, 1.675”.Noutra linha, a ERC anunciou uma vaga de estágios que visa a “capacitação interna e de formação de novas gerações”.“Estamos
inclusivamente a preparar um programa remunerado de estágios que
promova novas partilhas e aprendizagens e o melhor recrutamento de novo
talento”, disse a presidente do regulador.