Geoparque Açores quer ultrapassar cartão amarelo da UNESCO

25 de ago. de 2022, 13:03 — Lusa/AO Online

“O grande desafio que se tem pela frente, neste momento, é mesmo a situação do processo de avaliação, em que se foi avaliado com um cartão amarelo pelos avaliadores da UNESCO”, referiu.O Geoparque Açores foi alvo de um processo de revalidação por parte da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em setembro de 2021, do qual resultou um cartão amarelo, o que significa que tem cerca de dois anos para fazer cumprir as recomendações da organização por forma a manter a classificação. A UNESCO indicou as necessidades de criação de uma “equipa operacional coesa e dedicada ao projeto, maior visibilidade do geoparque em todo o território e um compromisso efetivo da região”, segundo André Castro.A avaliação, que é quadrienal, resulta de o Geoparque Açores ter integrado, em 2013, a rede europeia deste tipo de áreas classificadas.O presidente da Geoaçores referiu que o “atual contexto foi determinante para que a Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas assumisse a presidência do Geoparque Açores”, sendo fulcral para tutela “resolver a situação do cartão amarelo para que se possa manter o estatuto de geoparque mundial da UNESCO”.Constituída em 2010, a Geoaçores representa a estrutura de gestão do Geoparque Açores e tem como sócios fundadores quatro grupos de ação local: a Associação Regional para o Desenvolvimento (ARDE), a Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural (ASDEPR), a Associação para o Desenvolvimento Local de Ilhas dos Açores (ADELIAÇOR) e a Associação de Desenvolvimento Regional (GRATER).A Geoaçores integra ainda o Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas. De acordo com os avaliadores da UNESCO, citados por André Castro, existe “pouca visibilidade no terreno e pouca referência ao Geoparque Açores na região”, pretendendo-se que "quem visita os Açores saiba que está no território geoparque”. A Geoaçores vai investir na colocação de mais sinalética nos geossítios do arquipélago e aumentar a sua visibilidade através de uma política de comunicação, segundo o presidente da direção.O dirigente ressalvou que essas “são questões perfeitamente ultrapassáveis e nas quais já se está a trabalhar” para recuperar o cartão verde.“Não se trata de uma avaliação que comprometa a classificação de geoparque mundial. No entanto, temos de concretizar estas recomendações para que se consiga obter o cartão verde”, declarou.Para André Castro, que não vê a pressão turística “como um problema”, o turismo é “mais uma ferramenta importante e poderosa para divulgar o património natural e cultural dos Açores e, de certa forma, também salvaguardá-lo”.O geoparque é um território com património geológico “de excelência, reconhecido internacionalmente e que assenta em três pilares importantes: a educação ambiental, a geoconservação e o desenvolvimento sustentável, estando em linha com as políticas do Governo Regional dos Açores”.O território do Geoparque Açores corresponde às nove ilhas e à área marinha envolvente, materializando-se em cerca de 13.000 quilómetros quadrados.Assenta numa rede de 121 geossítios terrestres e marinhos que “atestam a riqueza do território, asseguram a representatividade das riquezas geológicas da região e têm associadas estratégias de desenvolvimento e conservação adequadas a cada um”.André Castro referiu que “os Açores detêm uma vasta riqueza, quer natural quer cultural, que é reconhecida pela UNESCO através das classificações Reserva da Biosfera, Património Mundial e Geoparque Mundial”.Trata-se de “classificações que constituem poderosas ferramentas para o desenvolvimento económico sustentável da região e, em conjunto valorizam e protegem o que é açoriano”.