José
Manuel Bolieiro falava aos jornalistas no Oceanário, em Lisboa, à
margem da cerimónia para celebrar a amarração do Nuvem, o novo cabo
submarino transatlântico da Google que liga os Estados Unidos, as
Bermudas, os Açores e Portugal continental e que tem como parceiro
nacional a Meo. Questionado sobre a
importância para os Açores, o governante disse que, em primeiro ligar,
"é preciso deixar claro que a geografia tem um valor tecnológico, mas
hoje o valor dos Açores, do ponto de vista geopolítico, é ainda mais
relevante".Isto "porque nós somos, sob o
ponto de vista da importância da coesão social, económica e territorial,
reconhecidamente uma região ultraperiférica que precisa de ajuda ao seu
desenvolvimento, quer pelo todo nacional, quer pelo contexto da nossa
adesão à União Europeia", prosseguiu.Contudo,
"somos nestes novos domínios que têm muito a ver com o futuro, com as
novas economias, uma centralidade" e "isso confere ao país, na sua
geografia atlântica, um valor geopolítico e geoestratégico porventura
ainda mais valioso do que toda a história do país"."E
eu estou muito empenhado em que também através destas transições que
hoje o mundo passa, a transição desde logo digital e que hoje aqui nos
convoca para esta reflexão com a passagem e amarração dos cabos da
Google, tem verdadeiramente uma importância disruptiva relativamente ao
nosso valor para a economia do futuro", referiuNo
quadro dos 'smart cables' [cabos inteligentes], também pode ser
"importante para acompanhar" as transições quer sob o ponto de vista
climático como ambiental ou energético."É
por isso que nós estamos não só numa ponte, mas também numa sala de
controlo do que será o futuro e das novas economias", salientou José
Manuel Bolieiro."No mundo, na sua relação
transatlântica, e em não apenas dois continentes, como é tradição fazer a
relação bilateral Portugal-Estados Unidos, mas o continente europeu, o
continente africano e o continente americano, as Américas na sua
pluralidade, a do norte, a do centro e a do sul, portanto, hoje estamos
aqui a fazer história", acrescentou. Quanto à substituição dos cabos submarinos CAM, que ligam o Continente, Açores e Madeira, "nós temos vindo a criar pressão".Isto
"porque de facto o chamado Anel CAM, que é de responsabilidade do
Estado, que liga exatamente o continente de Açores-Madeira, tem de ter
redundância" e "já terminou a vida útil dos atuais cabos, está na hora
de os substituir e fazer deles um upgrade, uma oportunidade de
qualificação daqueles cabos para a nova geração e dos 'smart cable' e
com maior potência relativamente à velocidade e à banda larga da
transmissão dos dados e igualmente também a ligação interilhas, para
podermos ter redundância", referiu o governante açoriano.Aliás, "como se viu aqui [...] ficou bem explicado a importância que a Google dá à redundância", apontou."Temos
hoje o reconhecimento do Nuvem, mas estaremos para o ano com a
passagem, pelos Açores e controlo também dos Açores", mas já não passa
pelo continente português mas antes por Espanha, que é o cabo submarino
Sol.Tal "permitirá depois, através da
conectividade, de redundância, ter mais resiliência e mais segurança,
também nós queremos isso para o Anel CAM, também queremos isso para as
relações digitais interilhas", referiu."É
que nós estamos também a instalar um centro tecnológico espacial na ilha
de Santa Maria, daí também essa importância da ligação digital ser mais
robusta", salientou.Questionado se o digital torna os Açores mais central, o presidente do Governo Regional rematou: "Sem dúvida".O digital "acaba com a ultraperiferia e aproxima", diz, defendendo que é preciso diminuir a latência.