Gaza começa a remover 370 mil toneladas de lixo acumulado em dois anos
Hoje 18:06
— Lusa/AO Online
Segundo
noticiou o serviço ONU News, a escala da acumulação de resíduos
tornou-se um “símbolo visível da crise ambiental”, sobretudo porque o
trabalho pela frente é avassalador, em particular quando comparado com o
facto de, antes da guerra no enclave palestiniano, a produção diária de
resíduos sólidos atingir as 2.000 toneladas.Com
o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e
em cooperação com organizações da sociedade civil na Faixa de Gaza, foi
iniciada a remoção de grandes quantidades de resíduos acumulados na área
do Mercado Firas, no centro da cidade de Gaza, o maior ponto de
agregação de lixo da região.De acordo com a
ONU News, em dois anos, cerca de 370.000 toneladas de resíduos
acumularam-se no local, tornando a zona num foco de poluição e agravando
riscos ambientais e de saúde pública, num contexto de colapso dos
serviços básicos.“A destruição de
infraestruturas e a interrupção de serviços de recolha de lixo e de
saneamento ajudaram a piorar a crise, com montes de resíduos a ocuparem
estradas e zonas urbanas densamente habitadas”, sublinhou o órgão de
comunicação social da ONU.A operação é
conduzida por funcionários e máquinas operadas pelo PNUD, incluindo
camiões e bulldozers, que estão a recolher os resíduos acumulados e a
transportá-los para áreas com aterros afastadas das zonas residenciais,
desconhecendo-se, porém, quanto tempo demorará a limpar a cidade.A
iniciativa, explicou o PNUD, pretende conter o aumento dos riscos de
saúde pública, num momento em que os moradores relatam impactos diretos
na qualidade de vida devido à presença constante de lixo nas principais
vias da cidade.Relatos locais referem que a
dimensão da acumulação de resíduos tornou-se um símbolo visível da
crise ambiental enfrentada por Gaza.O
chefe da Rede de Organizações Não-Governamentais na Faixa de Gaza, Amjad
al-Shawa, afirmou que o início da remoção do lixo representa um
“acontecimento significativo para a população palestiniana”.Segundo
al-Shawa, a acumulação de resíduos ao longo do período recente
contribuiu para o surgimento de “muitas epidemias, doenças, insetos,
roedores e animais”, pelo que o início da operação oferece “um vislumbre
de esperança” para os residentes da Faixa de Gaza.As
palavras de Amjad al-Shawa surgem num momento em que a situação
sanitária no enclave tem vindo a deteriorar-se devido à incapacidade de
manter serviços básicos de limpeza e acompanhamento ambiental. No
entanto, vários residentes que vivem perto do aterro improvisado
descrevem o local como uma “ameaça constante para a comunidade”.Anwar
Helles, morador nas proximidades citado pela ONU News, afirmou que o
lixo acumulado “representa um perigo”, apontando o aumento de maus
odores, a proliferação de mosquitos e a presença de cães vadios.Helles
disse ainda que o impacto da situação é evidente e que o cenário
reflete “o nível de sofrimento diário vivido pela população”.Ahmad
Hajaj, outro residente da área, descreveu a vida junto às montanhas de
lixo como “difícil” e “inadequada”, destacando que insetos e doenças
afetam especialmente as crianças, pelo que se espera que o lixo seja
removido e que as condições regressem ao que eram antes da guerra.A
Faixa de Gaza enfrenta um agravamento da crise ambiental devido à
destruição de infraestruturas e à interrupção de serviços de saneamento
público, com a proliferação de moscas, mosquitos e roedores a aumentar,
sendo estes considerados vetores de doenças.“O
problema é intensificado pela escassez severa de materiais eficazes
para controlar pragas, obrigando as autoridades locais a recorrerem a
alternativas de impacto limitado”, relatou ainda a ONU News, que lembra
que a crise sanitária na Faixa de Gaza acontece num momento em que a
população enfrenta dificuldades acrescidas no acesso a condições mínimas
de higiene e proteção contra doenças.Antes
da guerra, a Faixa de Gaza produzia cerca de 2.000 toneladas de
resíduos sólidos por dia, segundo informações pré-guerra da Autoridade
de Qualidade da Água e do Ambiente.Os
resíduos orgânicos representavam cerca de 65% do total, seguidos por
plásticos (16,1%), papel (8,1%), metais (3%), e outros materiais,
incluindo areia, entulho de construção e resíduos agrícolas.Com
o colapso dos serviços de recolha e tratamento, a acumulação acelerada
de lixo tornou-se uma das principais preocupações ambientais e de saúde
pública no território.