Gases com efeito de estufa, nível do mar e temperaturas atingiram recordes em 2020
25 de ago. de 2021, 18:51
— Lusa/AO online
As
conclusões fazem parte do relatório publicado no boletim da Sociedade
Meteorológica Americana, que faz a revisão anual da situação climática
no mundo a partir do contributo de cerca de 530 cientistas, em mais de
60 países.Segundo
os dados hoje divulgados, o agravamento das alterações climáticas
voltou a verificar-se em 2020, com vários indicadores a atingirem
recordes.Por
um lado, o nível de gases de estufa da Terra foi o mais elevado alguma
vez registado. A concentração atmosférica média anual de dióxido de
carbono (CO2), por exemplo, fixou-se nas 412,5 partes por milhão (ppm).Este
número, registado num ano em que a pandemia de covid-19 atingiu uma
escala global e desacelerou a atividade económica em todo o mundo,
representa um aumento de 2,5 partes por milhão em relação a 2019 e um
recorde, tanto nos registos modernos dos últimos 62 anos, como nos
registos em núcleos de gelo, que permitem recuar a 800 mil anosO
mesmo aconteceu com o metano, cuja concentração atmosférica registou,
em 2020, um aumento de 14,8 partes por mil milhões em relação ao ano
anterior, a maior subida desde o início das medições.Também o nível do mar continuou a subir, fixando-se pelo nono ano consecutivo um novo recorde.Comparativamente
a 1993, quando começaram a ser registadas estas medidas por satélite, a
média registada nesse ano foi agora superada em 9,13 centímetros e a
cada década o nível global do mar está a subir cerca de três
centímetros, consequência do degelo e do aquecimento dos oceanos.Seguindo a mesma tendência de agravamento, as temperaturas das superfícies terrestre e marítima voltaram a aumentar.Os
últimos sete anos, desde 2014, foram os mais quentes desde que há
registo e 2020 ocupa um lugar no ‘top’ três, superado apenas por anos em
que se registaram fenómenos El Niño.No
ano passado, as temperaturas anuais da superfície da Terra estiveram
entre 0,54°C e 0,62°C acima da média de 1981-2010 (a variação depende da
base de dados utilizada), e o aquecimento acontece a um ritmo médio de
0,08°C por década.Particularmente
nos polos Norte e Sul, foi sentido um calor extremo sem precedentes. A
temperatura média do ar nas áreas terrestres do Ártico foi a mais
elevada em 121 anos de registos, 2,1°C acima da média de 1981–2010, e na
Antártica as temperaturas ultrapassaram os 18°C.Em
06 de fevereiro, a estação de investigação argentina da Base Esperanza
atingiu os 18,3°C, a temperatura mais alta alguma vez registada naquele
continente, superando o recorde anterior de 17,2°C, estabelecido em
2015.Segundo
o relatório, que detalha a situação em diferentes zonas do planeta, o
inverno de 2020 foi o segundo mais quente da Península Ibérica, com
temperaturas particularmente mais elevadas do que habitual em fevereiro.
No outro extremo, o mês de julho foi o mais quente de sempre nesse ano
em Portugal. Nos
oceanos também se fez sentir mais calor, com a temperatura média global
da superfície do mar próxima do recorde, fixando-se na terceira mais
alta registada (só em 2016 e 2019 se registaram valores mais elevados,
associados a El Niños).Por
outro lado, a atividade dos ciclones também esteve acima da média e no
ano passado foram nomeadas 102 tempestades tropicais durante a época de
tempestades dos hemisférios Norte e Sul, um número significativamente
mais alto em comparação com a média de 85 entre 1981 e 2010.Dessas
102 tempestades, três ciclones tropicais atingiram a intensidade de
categoria cinco na escala Saffir-Simpson e entre 30 registadas na bacia
de furacões do Atlântico Norte (também um número recorde), sete
tornaram-se grandes furacões de categoria três ou superior.No
oeste do Pacífico Norte, o Super Typhoon Goni foi o ciclone tropical
mais forte a atingir a costa no registro histórico, tendo obrigado à
retirada de quase um milhão de pessoas nas Filipinas. O ciclone Gati,
uma tempestade ciclónica muito severa que se formou no mar da Arábia,
foi o primeiro de tal intensidade a atingir a Somália.