27 de fev. de 2023, 08:35
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
Terceiro
classificado no Gran Camiño, que terminou no domingo, em Santiago de
Compostela, com o triunfo avassalador de Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma),
Ruben Guerreiro falou à agência Lusa do novo fôlego da sua carreira,
menos de um mês depois de ter conquistado a Volta à Arábia Saudita, a
sua primeira corrida com as cores da equipa espanhola. “Já
o último ano da EF Education-EasyPost foi muito importante para mim,
também me ajudaram bastante, não só como ciclista, mas também com
valores essenciais na vida e praticante deste desporto ao mais alto
nível. E na Movistar, sobretudo, [encontrei] uma equipa e um manager,
que é o Eusebio Unzué, que acreditou em mim como ninguém. Nem eu
acreditava tanto em mim”, confessou.O
ciclista de Pegões Velhos (Montijo), de 28 anos, trocou a formação
norte-americana, que representava desde 2020, pela espanhola, um ano
antes do final do contrato, mas garante que saiu sem mágoas da EF
Education-EasyPost.“Tive diretores
espetaculares, o [Jonathan] Vaughters, o manager, também… eles têm as
suas ideias, um pouco à americana, mas deram-me sempre oportunidade,
sempre me trataram bem. Tive vitórias bonitas, ganhei uma camisola numa
grande Volta, uma etapa, outra corrida como o Mont Ventoux [Dénivelé
Challenge], fiz ‘top 10’ em corridas de WorldTour. Realmente, isso não
era possível sem a ajuda deles”, reconheceu.Apesar
da gratidão que sente pela sua antiga equipa, o instinto e a maneira de
ser do ‘rei’ da montanha do Giro2020, edição em que venceu uma etapa,
diziam-lhe “que podia ainda crescer mais”, até porque “numa ou outra
corrida”, em que foi “terceiro ou quarto”, “se calhar podia ter ganho”
se tivessem apostado em si.“Tinha um
contrato até 2024 e eles facilitaram-me a saída, porque neste caso a UCI
[União Ciclista Internacional] defende sempre os direitos das equipas. E
[na EF Education-EasyPost] foram amigos. Sem uma boa relação, nada
disto era possível. Entenderam o meu ponto de vista e deixaram-me seguir
viagem”, notou. Muito se falou sobre
alegadas propostas de outras equipas, mas, segundo o vencedor da Volta a
Portugal do futuro (2014) e campeão nacional de fundo de 2017, foi
sempre a Movistar aquela que mostrou mais interesse, até porque
procurava “alguém capaz de estar com o Enric [Mas] na montanha”. “Mesmo
com a idade que tinha, viam em mim progressão e acho que foi a melhor
decisão”, disse, reiterando que, “no fundo, era uma ambição um dia ser
ciclista da Movistar”, pelos “grandes campeões” que aí viu correr, como
Alejandro Valverde ou os portugueses Nelson Oliveira e Rui Costa, e por
ser uma equipa “ganhadora”, com uma mentalidade mais próxima da
portuguesa.Agora, Guerreiro quer retribuir
a confiança depositada em si pelos responsáveis da formação espanhola
com aquilo que mais espera fazer esta temporada: ganhar. “Eu
treino para ganhar, ganhar algo. Eu acho que somos sempre recompensados
quando trabalhamos arduamente e o fazemos bem, não é? Tenho sempre a
esperança e tenho a motivação de que, com o trabalho duro, algo bom ou
grande irá acontecer. Eu não ponho muitas expectativas, porque sempre,
desde sub-23 e até há um ano, tive muitos infortúnios, nunca tive um
crescimento equilibrado, por isto ou por aquilo, nunca consegui uma
progressão normal”, lembrou.Ainda assim,
não esconde que, apesar de estar a descobrir-se enquanto ciclista, é nas
grandes Voltas que se sente bem, quer física, quer mentalmente. “Gostava
de lutar por uma grande Volta, nunca se sabe”, admitiu, antes de
retificar: “lutar, digamos, por etapas, alguma camisola. […] Continuar a
crescer como ciclista, ajudar sobretudo o Enric este ano, mas, um dia,
se tiver a oportunidade de estar, quem sabe, [a lutar] pelo ‘top 10’…”.A seu favor, acredita, está o ciclismo atual, no qual predominam os ciclistas atacantes e em que se dão muitas reviravoltas.“Se
tudo correr bem, vou ao Tour, com a ideia do Enric fazer pódio, sem
pensar em mim. Depois, com o desenrolar da corrida, vamos ter que usar
mais cartas e, mesmo o Enric consolidando o pódio, eu e outros ciclistas
vamos ter oportunidades de lutar por etapas e quem sabe, meter-me no
‘top 10’ juntamente com o Enric”, previu.