Gabriel Batista enaltece “força coletiva” do Santa Clara e pede combate ao racismo
29 de jan. de 2025, 09:35
— Lusa/AO Online
“[Ser homem do jogo]
significa o coroar do trabalho individual e prova que o nosso coletivo é
muito forte. Ao longo do jogo, a equipa foi muito forte e demonstrou
estar preparada para fazer o que deveria ser feito e pontuar num estádio
muito difícil. Fizemos história”, afirmou o guardião em declarações à
agência Lusa.No domingo, o Santa Clara
empatou a uma bola com o FC Porto no Estádio do Dragão, com Gabriel
Batista a ser o ‘herói’ da partida ao defender um penálti de Galeno (que
já tinha falhado outra grande penalidade) nos momentos finais da
partida da 19.ª jornada da I Liga de futebol.Para Gabriel Batista, a partida deixou patente a “força coletiva” e a “resiliência defensiva” do Santa Clara.“Já
demonstramos que quando estamos 100% focados e concentrados somos uma
equipa muito forte e uma equipa muito difícil de ser batida”, vincou.Após
o jogo, o atleta de 26 anos denunciou nas redes sociais uma ameaça de
morte, acompanhada de expressões racistas, situação que levou o Santa
Clara a repudiar os “comentários racistas e xenófobos” dirigidos ao
guarda-redes e ao portista Galeno.Na
primeira vez que se pronuncia publicamente sobre o assunto, Gabriel
Batista lembra que o desporto deveria ser um momento de inclusão e que o
racismo é crime.“Deixa-me muito triste
que essas coisas ainda aconteçam. Infelizmente, na vida, isso não
deveria acontecer. O desporto é um momento de inclusão. Todos tentam
participar. Entendemos a frustração do torcedor [adepto] e ela pode ir
até certo ponto. Quando passa disso, racismo é crime”, salienta.O guardião expressou, também, solidariedade com Galeno, que foi alvo de insultos racistas após o encontro.“Queria
expressar a minha solidariedade com o Galeno e com todos outros atletas
que sofrem isso. Não só aqui em Portugal, isso acontece em qualquer
lugar do mundo. Essa é uma luta que temos de continuar a travar. É
inadmissível”, reforça.Apesar de ter
defendido o penálti e assegurado o empate para os açorianos, Gabriel
Batista não se considera especialista naquele tipo de lances, mas lembra
que já partilhou o balneário com Diego Alves, antigo guardião do
Flamengo conhecido por defender penáltis.“Para
nós, guarda-redes, é preciso tentar manter ao máximo a tranquilidade e a
frieza, porque o penálti é um momento de guerra psicológica entre o
avançado e o guarda-redes. Quem conseguir induzir o outro e fazer o que
quer vai sair com vantagem”, explica.Recordando
o momento decisivo da partida, Gabriel Batista destaca que procurou
afastar-se da discussão motivada pela marcação da grande penalidade de
forma a “concentrar-se somente em defender o penálti”.“O
segredo é estar concentrado e esquecer ao máximo o que está a vir de
fora. Concentrar a 100% no que tem de ser feito. Concentrar dentro do
campo. A nossa equipa consegue fazer isso muito bem”, enaltece.