G7 quer agências da ONU a trabalhar sem impedimentos em Gaza
Médio Oriente
14 de jun. de 2024, 16:51
— Lusa/AO Online
"Exortamos todas as
partes a facilitar a passagem rápida e sem entraves da ajuda humanitária
aos civis necessitados, nomeadamente mulheres e crianças", utilizando
todas as vias terrestres e marítimas possíveis, defenderam os chefes de
Estado e de Governo do G7 no texto avançado pela agência noticiosa AFP.Os
líderes consideram "essencial que as redes de distribuição da UNRWA e
de outras organizações e agências das Nações Unidas sejam plenamente
capazes de entregar a ajuda aos mais necessitados, a fim de cumprirem
eficazmente o seu mandato".A UNRWA, que
coordena quase toda a ajuda a Gaza, vive uma tempestade diplomática e à
beira do colapso depois de Israel, em janeiro, ter acusado esta agência
da ONU de envolvimento no ataque de 07 de outubro do Hamas, que
desencadeou o atual conflito.A acusação
envolveu uma dúzia dos 13 mil funcionários da Agência das Nações Unidas
para os Refugiados Palestinianos e levou à suspensão de financiamento
por parte de muitos países, incluindo os Estados Unidos, o principal
doador.O Presidente norte-americano, Joe
Biden, e os seus aliados do G7 (Alemanha, França, Itália, Reino Unido,
Canadá e Japão) lamentaram ainda o "número inaceitável" de civis mortos
"de ambos os lados" desde 07 de outubro.Segundo
o mesmo documento, os líderes manifestaram a sua "profunda preocupação
com as consequências para a população civil das operações terrestres em
curso em Rafah" (sul), onde o exército israelita lançou a sua ofensiva
terrestre a 07 de maio, que considera essencial para eliminar o Hamas.Foi
também feito o apelo a Israel para que "se abstenha" de lançar uma
operação de grande envergadura nesta cidade situada na fronteira com o
Egito.O ministério da Saúde de Gaza,
controlado pelo Hamas, atualizou hoje para 37.266 o número de mortos e
para 85.102 os dados sobre feridos na guerra entre Israel e o movimento
islamita palestiniano que se iniciou há mais de oito meses.Israel
lançou a sua ofensiva contra a Faixa de Gaza na sequência dos ataques
de 07 de outubro do Hamas em solo israelita e que causaram cerca de
1.200 mortos e 240 reféns, segundo Telavive. O
conflito causou também quase dois milhões de deslocados, mergulhando o
enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária,
com mais de 1,1 milhões de pessoas numa “situação de fome catastrófica”
que está a fazer vítimas - “o número mais elevado alguma vez registado”
pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.