Futuro da Corretora passa por nova fábrica (vídeo)

23 de ago. de 2013, 17:46 — Nuno Martins Neves

“A sobrevivência da Sociedade Corretora passa, obrigatoriamente, pela construção de uma nova fábrica ou pela reformulação da atual”, defendeu João Vieira, atual administrador da empresa micaelense de conservas que hoje celebra o seu centésimo aniversário. Sem bolo de aniversário e longe dos tempos áureos, a Corretora ainda mantém a sua influência no mercado açoriano e estrangeiro. Com uma produção anual de cerca de 2 mil toneladas de peixe e uma faturação que atinge os 5 milhões de euros/ano, a conserveira faz de São Miguel, Itália, Estados Unidos da América e Canadá os seus principais alvos. A produção de conserva de atum está confinada unicamente à fábrica de Vila Franca do Campo, subsistindo ainda o armazém em São Roque, onde outrora também se processou o peixe. Fora da alçada da empresa estão as fábricas de São Jorge e Terceira. No auge da laboração, a Sociedade Corretora emprega acima de 100 funcionários. No entanto, com a atual situação financeira do país, a única luz ao fundo do túnel para a empresa é a construção de uma nova fábrica. “A atual está a trabalhar bem e cria um produto de excelente qualidade. Mas já é muito antiga e são necessárias outras condições”, explica João Vieira. O administrador que gere, nos últimos 12 anos, os destinos da conserveira, acredita que só com novas instalações é que a empresa conseguirá dar um passo em frente . A reformulação da atual também é uma hipótese mas remota, “tendo em conta os projetos de requalificação da linha costeira de Vila Franca do Campo”.   Do ananás ao atum em 100 anosASociedade Corretora Limitada foi fundada em Ponta Delgada, a 22 de agosto de 1913, por iniciativa de Cristiano Frazão Pacheco. Inicialmente, a empresa tinha como objetivo reunir os produtores de ananás e exportá-lo para a Europa, razão pela qual o nome originário era Sociedade Corretora de Ananases. Na década de 20, era já responsável por 50 por cento da produção do fruto, tendo avançado para a fundação da companhia de navegação Carregadores Açorianos, com rotas regulares para os países do norte da Europa. Com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e as inerentes dificuldades na exportação, a empresa diversifica a sua produção, passando a fazer compotas de frutos e conservas de peixe. Por essa razão, inicia a criação de uma frota pesqueira. Após a guerra, dedica-se em exclusivo à atividade conserveira. Progressivamente vai perdendo o fulgor que, no passado, dava emprego a mais de 200 pessoas. Atualmente, da frota pesqueira só restam as miniaturas que existem na sede da empresa, no número 34 da Rua Hintze Ribeiro, no centro de Ponta Delgada.