Futuro da Azores Airlines preocupa trabalhadores e sindicatos
Hoje 09:14
— Nuno Martins Neves
A proposta de rejeição do único consórcio concorrente à privatização da Azores Airlines por parte do júri do concurso não surpreendeu os trabalhadores e os sindicatos ouvidos pelo Açoriano Oriental, que expressam a preocupação com o futuro da companhia aérea açoriana.Para Sandra Lemos, da comissão de trabalhadores, “sempre tivemos um pouco de dúvidas [quanto ao sucesso da proposta], porque a decisão seria sempre difícil”. A Comissão de Trabalhadores da Azores Airlines encarou o processo com total transparência, depois de lhes ter sido dito pelo Governo Regional que ou havia privatização ou a empresa fechava.“Estamos preocupados, sem dúvida nenhuma. Agora, nós neste momento, passamos as decisões todas para o Governo Regional. Estamos preocupados com o futuro da SATA, internamente, e não nos vamos meter mais no processo da privatização. Se prosseguir o processo , estamos cá para dar o parecer. Caso desistam, será o Governo Regional a decidir”.Também para o Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), a decisão era esperada, mas os motivos, nem tanto. “Ao longo deste processo, afirmamos que tínhamos muitas dúvidas sobre a sua condução. Os motivos são surpreendentes e o que nos preocupa é que, mais uma vez, está-se a olhar mais para as questões políticas e não tanto para a empresa, para região e, sobretudo, para os trabalhadores”, afirma Ricardo Penarroias.Para o presidente do sindicato, a sensação que fica é que “há forças que pretendem não salvar a empresa e parece que para muita gente o ideal é acabar com a Azores Airlines. Eestamos a falar de centenas de postos de trabalho diretos e indiretos”.Sobre a possibilidade de venda direta, é direto: “Não é bom, nem mau: é extremamente mau. O caderno de encargos da privatização era fraco e pouco defensor dos postos de trabalho, mas numa venda direta nem isso!”.Perante as últimas notícias, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) defende que se torna imperativo que a Azores Airlines se mantenha na esfera pública. “Numa altura em que a Ryanair ameaça sair da Região, é o tempo ideal da tutela assumir de forma clara e definitivo que o serviço prestado pela Azores Airlines é de superior intersse público, que deve ser protegido mantendo-a como uma empresa pública”, afirma João Pedro Pacheco.O sindicalista diz que a decisão do júri “só vem confirmar, ponto a ponto, os alertas do SITAVA. Não estavam devidamente salvaguardas os interesses da empresa, dos trabalhadores e da Região. Aliás, o júri já tinha bastantes reservas sobre o candidato”.Bolieiro vai esperar por relatório finalO Presidente do Governo Regional dos Açores considera ser prematuro tomar uma posição sobre o processo de privatização, preferindo aguardar pela relatório final do conselho de administração da SATAHolding. “Sendo que se trata de um relatório preliminar, nos termos da lei tem que haver uma audiência prévia [ao consórcio Newtour/MS Aviation] e o exercício do contraditório, e dar a palavra também ao agrupamento”, referiu José Manuel Bolieiro, à margem da cerimónia de abertura da PDL26 - Capital Portuguesa da Cultura.O governante destacou a “total independência e imparcialidade” do processo, conduzido por um júri “absolutamente qualificado e com total independência e critérios de objetividade”, mas confessa ter ficado surpreso com a decisão.“Fico surpreendido, mas a verdade é que esta é uma opção e uma avaliação imparcial relativamente a um júri, no qual eu confio na sua competência e qualidade”, refere Bolieiro, lembrando que o Governo cumprirá “com total isenção aquela que é a orientação do relatório”.