Fundação Oceano Azul elogia concretização do Tratado do Alto Mar
Oceanos
13 de jun. de 2025, 15:02
— Lusa/AO Online
"É
um ganho conseguirmos fazer entrar em vigor o Tratado do Alto Mar [que
cobre a coluna e a superfície da água], foi um passo fundamental porque
vai proteger metade do planeta, que não tinha regulação jurídica que
permitisse, por exemplo, criar áreas marinhas protegidas para proteger
essa parte", afirmou Tiago Pitta e Cunha.O
responsável falava aos jornalistas portugueses que estão a cobrir a
terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC3) que hoje
termina em Nice, França.Tiago Pitta e
Cunha reagia assim ao anúncio, minutos antes, de que em 23 de setembro
estarão reunidas as 60 ratificações de países a este tratado sobre
proteção de águas fora das jurisdições nacionais, o que permitirá que
120 dias depois entre em vigor.Salientou
também "o facto de o tratado ter dado um salto", uma vez que no início
dos trabalhos da conferência, na segunda-feira, eram cerca de 30."A
entrada em vigor do tratado vai permitir criar um enquadramento
jurídico na relação do oceano com a sustentabilidade que [ainda] não
existe", salientou, enaltecendo também a postura de Portugal ao já o ter
ratificado.Tiago Pitta e Cunha defendeu
que Portugal foi “um dos países líderes” ao ter anunciado que em breve
cumprirá uma das metas das Nações Unidas de ter 30% de áreas marinhas
protegidas (AMP) até 2030, mas o mesmo não se passa com outros.“Os
países agora já disseram que estavam a trabalhar para os 30 por 30, a
verdade é que ainda não estão, houve poucos países a trabalhar, menos de
10 países anunciaram áreas marinhas protegidas”, nesse capítulo
Portugal é “um dos países campeões que entregaram algo de concreto”,
referiu.Portugal anunciou que vai iniciar o
processo legislativo para criar a área marinha protegida do Banco do
Gorringe (sudoeste do Algarve), o que a juntar-se às dos Açores soma
perto de 30% de AMP no país. A Fundação
Oceano Azul participou na organização da UNOC3 com os governos francês e
da Costa Rica e organizou vários eventos durante toda a semana.Instituída
pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos, é uma entidade sem fins
lucrativos, que tem por objeto contribuir para a conservação e
utilização sustentável dos oceanos, e que inclui no seu património o
Oceanário de Lisboa.