Fundação italiana estima mais de 30.000 mortos no Mediterrâneo desde 2014
Migrações
1 de out. de 2024, 12:29
— Lusa/AO Online
Desde o
início do ano, pelo menos 1.452 migrantes perderam a vida no Mar
Mediterrâneo ou estão desaparecidos, sublinhou a Fondazione ISMU ETS,
apoiada em dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).Até ao final deste ano, a fundação italiana projeta que o número de mortos será um pouco inferior a 2.000.Na
última década, segundo a ISMU ETS, o número de menores mortos ou
desaparecidos no Mediterrâneo poderá ser “superior a seis mil”.De
acordo com a fundação, o acidente mais trágico de todos os tempos
ocorreu a 18 de abril de 2015, a cem quilómetros ao norte da Líbia, com
pelo menos 1.022 mortos ou desaparecidos e apenas 28 sobreviventes.O
naufrágio mais grave de 2024 ocorreu a 17 de junho nas águas italianas
do Mar Jónico, perto da Calábria, com 66 mortos e desaparecidos,
incluindo 27 menores, de longe o segundo maior número de menores mortos
num único naufrágio.Em relação aos
menores, de acordo com dados do projeto Migrantes Desaparecidos, da OIM,
entre 2014 e 2023 um total de pelo menos 1.214 menores morreram ou
desapareceram no Mediterrâneo. O número total de vítimas passou de menos
de 1% em 2014 para mais de 5% tanto no ano passado quanto neste ano
(com um total, até agora, de 74 crianças mortas ou desaparecidas). No
entanto, aponta a ISMU, esses são dados parciais, uma vez que a idade
real dos mortos ou desaparecidos nem sempre - ou mesmo raramente - é
relatada. De acordo com o ACNUR, de 2023
até o momento, 24% dos migrantes desembarcados eram menores de idade,
com uma incidência muito maior do que teriam entre as vítimas.Estes
dados foram apresentados quando se assinala proximamente o Dia da
Memória e Receção, em homenagem às 368 vítimas - incluindo 83 mulheres e
nove crianças - do trágico naufrágio ao largo da costa de Lampedusa, em
03 de outubro de 2013.