Fundação Champalimaud e universidade chinesa acordam parceria para investigar cancro
12 de out. de 2020, 11:38
— Lusa/AO Online
Segundo
um comunicado da fundação, o protocolo assinado com a universidade
chinesa “de referência na área da investigação médica” prevê “apoio
técnico e científico da Fundação Champalimaud, o que a médio prazo
deverá dar lugar à criação de um Instituto único no mundo dedicado à
Imunotecnologia, um investimento que deverá ascender a 100 milhões de
dólares” (cerca de 85 milhões de euros).O
projeto de investigação e colaboração clínica será liderado pelo
professor Markus Maurer, médico e investigador principal do serviço de
Imunoterapia e Imunocirurgia da Fundação Champalimaud.“O
foco inicial desta colaboração incidirá sobre a Imunoterapia, que
consiste em modular o sistema imunitário do paciente – ou de um dador –
para combater, entre outras possíveis patologias, o cancro. A
imunoterapia é particularmente relevante como linha de tratamento em
cancros agressivos, difíceis de tratar, contra os quais existem poucas
opções terapêuticas, originando por isso taxas elevadas de mortalidade e
morbilidade. É o caso do cancro do pâncreas, na sua maioria silencioso,
não-operável e fulminante”, refere o comunicado. A
parceria insere-se no objetivo da Fundação Champalimaud de se
transformar num centro de referência mundial para o estudo e tratamento
do cancro do pâncreas e o memorando assinado hoje prevê projetos
conjuntos de investigação translacional e desenvolvimento tecnológico,
conceção de estratégias de tratamento clínico, intercâmbios e partilha
de recursos técnicos e científicos.“A
longo prazo, pretende-se, em linhas gerais, fomentar e expandir a forte
ligação do Centro de Imunotecnologia à Indústria, à Academia e ao
Governo local, regional e nacional, expandir os programas de colaboração
e cooperação internacional, e contribuir para o desenvolvimento do eixo
Europa — China, tendo como parceiro importante e, em certa medida,
privilegiado a Fundação Champalimaud e Portugal”, refere o comunicado.Segundo
a Fundação Champalimaud, a universidade chinesa vai dedicar um edifício
do seu campus à integração das equipas de investigação, “onde
permanecerão dedicadas à Imunotecnologia Oncológica e Infecciosa”.“O
centro terá a designação de Centro Sino-Europeu para a Imunotecnologia
(China-Europe Imunotechnology Institute). A Primeira Universidade de
Medicina de Shandong tem vindo a manifestar o interesse em que a
Fundação Champalimaud esteja intimamente ligada, não apenas à sua
criação e organização, mas à sua gestão a longo prazo. A instituição
conta atrair numa segunda fase o investimento direto de outras entidades
públicas e privadas, dentro e fora da região de Shandong”, adianta o
comunicado.O acordo de parceria foi hoje
assinado por João Silveira Botelho, vice-presidente da Fundação
Champalimaud e por Han Jinxiang, vice-secretário-geral permanente da
primeira Universidade de Medicina de Shandong.Virtualmente
estiveram também presentes na cerimónia José Augusto Duarte, Embaixador
de Portugal em Pequim e Cai Run, Embaixador da República Popular da
China em Lisboa.