Funcionários deslocados para matadouro de São Miguel por “necessidades do mercado”
30 de jun. de 2023, 05:55
— Lusa/AO Online
Segundo o representante do
Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e
Regiões Autónomas (STFPSSRA) estão em causa 11 funcionários dos
matadouros das ilhas do Faial, Flores e São Jorge, que foram deslocados
para São Miguel para, alegadamente, compensar os efeitos da greve.“Não
concordamos com este tipo de procedimentos por parte da direção do
Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA)”, criticou Hélder
Vieira, em declarações à agência Lusa.Para
o delegado sindical, a situação “ainda é pior” porque hoje é feriado
municipal na Ribeira Grande, concelho onde o matadouro está localizado.“Hoje
é feriado municipal. Foram enviados colegas nossos de matadouros de
outras ilhas para o matadouro de São Miguel para fazer o abate e
expedição da carne”, relatou, salientando que os trabalhadores das
“outras ilhas sentem-se enganados porque não sabiam que era feriado
municipal e não sabiam que a greve estava a ter este impacto”.Hélder
Vieira levantou ainda “dúvidas” sobre a legalidade da deslocação dos
funcionários e recordou que a paralisação “não tem data para acabar”.Contactada
pela Lusa, a presidente do IAMA, Maria Carolina Câmara, assegurou que a
deslocação temporária dos profissionais não foi efetuada devido à greve
às horas extraordinárias, mas porque existem “clientes a pedir mais
abates em São Miguel”.“Existem 11
trabalhadores que nos vieram ajudar na questão dos animais que estão por
abater devido a feriados. Existem necessidades de mercado. Nós como
tínhamos disponibilidade de pessoal, o pessoal é do IAMA e é afeto aos
matadouros, vieram ajudar-nos num abate extraordinário que os clientes
pediram”, explicou a responsável.Ainda
segundo Maria Carolina Câmara, o processo é legal, uma vez que os
trabalhadores estão a cumprir o horário do serviço das 08h00 às 16h00.“Eles
estão a trabalhar dentro do horário de serviço. Estamos a cumprir com a
greve às horas extraordinárias. Dentro do horário normal, trouxemos 11
trabalhadores para colmatar necessidades dos nossos clientes”, reforçou.A presidente do IAMA reconheceu, contudo, os impactos que a greve está a ter no matadouro de São Miguel.“A
greve às horas extraordinárias tem tido impactos porque tem sido menos
uma hora que se trabalha. Nós temos de parar às 15h00 para poder acabar o
trabalho dos animais que estão na linha e para depois higienizar”,
concluiu.Os trabalhadores dos matadouros
públicos dos Açores têm vindo a reivindicar "a integração nas carreiras
especiais que detinham até 2008".