Fujimori pede “perdão” pelos atos cometidos pelo seu governo e agradece indulto
26 de dez. de 2017, 14:36
— Lusa/AO online
Estou
consciente que os resultados durante o meu governo foram bem recebidos
por uma parte, mas reconheço que também defraudei outros compatriotas.
Peço-lhes perdão, de todo o meu coração”, disse o ex-presidente numa
intervenção gravada emitida a partir da clínica onde permanece internado
desde sexta-feira. Na
mensagem difundida na sua conta oficial da rede social Facebook,
Fujimori assegurou que a notícia do indulto humanitário o “surpreendeu”
na unidade de cuidados intensivos da clínica. “Produziu-me um forte impacto onde se misturam sentimentos de extrema alegria e de pesar”, acrescentou. O
ex-presidente do Peru exprimiu ainda “gratidão pela decisão complexa”
de Kuczynski, ao aprovar o seu indulto e o perdão de todos os processos
em curso. Esta decisão "compromete-me, nesta nova etapa, para apoiar decididamente o seu apelo à reconciliação”, assegurou. Na
noite de Natal, centenas de peruanos saíram às ruas de Lima para
protestar contra o indulto concedido a Fujimori, que cumpria uma
condenação de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos.Os
manifestantes, entre os quais familiares das vítimas das mortes por que
Fujimori foi condenado, concentraram-se na praça central de San Martín
para denunciar o indulto como um ato de impunidade.Os
familiares dos assassinados e desaparecidos anunciaram que irão
recorrer a instâncias internacionais para anular o indulto e exigir que
Fujimori, de 79 anos, cumpra a totalidade da pena a que foi condenado.Na
manifestação eram visíveis cartazes que qualificavam o indulto como um
"insulto" e o Presidente, Pedro Pablo Kuczynski, que concedeu o perdão,
como um "traidor" e "cúmplice do criminoso".Consideraram
ilegal a amnistia concedida por Kuczynski, que afirmaram resultar de um
pacto político para permitir que o governante possa continuar no poder.Os
manifestantes contestaram a presença de um grande contingente policial
no local do protesto e houve mesmo algumas escaramuças.O
Presidente assinou o indulto apenas três dias após evitar a sua
destituição pelo Congresso, pelos seus vínculos com a construtora
brasileira Odebrecht, e devido à abstenção de um grupo de dez deputados
‘fujimoristas’ liderados por Kenji Fujimori, o filho mais novo de
Alberto Fujimori, e que anteriormente tinha pedido abertamente a
Kuczynski para conceder o indulto a seu pai. A
Força Popular, liderada pela filha mais velha do ex-presidente, Keiko
Fujimori, tinha anunciado previamente que iria votar a favor da
destituição de Kuczynski.Em
menor quantidade, um grupo de simpatizantes de Fujimori concentrou-se
frente à clínica onde o ex-presidente está hospitalizado para celebrar a
sua libertação.Os
fujimoristas gritaram o nome do ex-presidente e manifestaram apoio aos
seus filhos quando entraram na clínica para visitar Fujimori.Fujimori,
Presidente do Peru entre 1990 e 2000, foi condenado em 2009 a 25 anos
de prisão após ser responsabilizado pelas mortes de 25 pessoas em 1991 e
1992 perpetradas pelo grupo militar encoberto Colina, e pelo sequestro
agravado de um jornalista e um empresário em 1992.