“Fugi um bocadinho do registo acústico do costume”
2 de ago. de 2021, 10:52
— Maria Leonor Bicudo/Carolina Moreira
Como foi surgindo a letra e a música deste novo single “Sunday Riddles”? A
letra surgiu quando eu estava a fazer um exercício de escrita criativa.
Estava a ler um livro sobre escrever músicas e depois havia lá um
exercício muito interessante. Comecei a fazê-lo e começou a surgir a
letra da música. E depois comecei a musicá-la, a definir uma métrica...
Isso foi numa altura em que eu tinha muitas ideias soltas, muitas
ideias de músicas que eu construía e depois não gostava... E esta, por
acaso, depois acabou por ficar.Esse tempo em que esteve parada durante a pandemia trouxe-lhe inspiração?Foi
um ano um bocadinho complicado. Eu tive alguma dificuldade inicialmente
em escrever canções, porque estava tudo tão estranho, era difícil saber
lidar com as coisas. Mas nos últimos seis meses já tenho estado a
trabalhar, a escrever e a criar coisas novas. O meu objetivo principal
nos próximos tempos é poder mostrar às pessoas coisas novas, depois de
ter estado um ano e meio sem lançar nada.Quase todas as letras dos singles da Sara são em inglês e a deste não é exceção. Porquê?Eu
componho em inglês porque o meu universo musical, desde muito novinha, é
em inglês. Sempre foi. Aquilo que consumo, os artistas que mais admiro,
as músicas que mais ouço no dia a dia é tudo música cantada em inglês.
Desde sempre. Por isso, acaba por ser muito natural e espontâneo, quando
me sento à guitarra para compor uma música, a letra acabar por sair
sempre em inglês. E o que é que este novo tema traz de diferente?Este
single é, acima de tudo, o resultado de alguma experimentação com outro
tipo de sonoridade, em casa, no estúdio que eu construí. É também uma
colaboração com um grande amigo meu, o LUAR, e o facto de ele ter
produzido esta música trouxe aqui uma sonoridade bastante diferente
daquilo que eu usualmente tenho. Ou seja, fugi um bocadinho do registo
acústico do costume. Normalmente sou só eu e a guitarra acústica, mas
esta música já tem mais camadas. Era uma coisa que já queria ter feito
há algum tempo e agora foi a oportunidade perfeita para isso.Por que é que o single foi gravado entre os Açores e Lisboa?Porque
eu cá tenho o meu home studio: gravei aqui o piano, as minhas vozes, o
baixo, a guitarra acústica... E o LUAR, que foi quem produziu a música,
está em Lisboa: gravou lá instrumentos virtuais, guitarras elétricas,
alguns sintetizadores. Portanto, foi essa mistura do trabalho de nós os
dois que aconteceu.Chegaram a reunir-se presencialmente em alguma etapa do processo de produção?Foi
tudo feito à distância. O primeiro passo foi enviar a composição. Por
isso enviei-lhe uma guia em que era eu a tocar viola acústica e a
cantar. Mandei-lhe a música: a composição e a letra. Depois, a partir
daí, começámos a pensar como podíamos colorir a música: que tipo de
sonoridade ela pedia, que tipo de instrumentos podíamos ir buscar.
Depois começámos a trabalhar juntos: eu enviava-lhe coisas que grava
aqui, ele enviava-me coisas que gravava lá e íamos sempre chegando a um
consenso e arranjando coisas que gostávamos. Foi assim o processo, não
nos vimos pessoalmente durante a produção desta música.Este single fará parte de um álbum?Ainda
estou a perceber se isso vai acontecer. Tenho agora várias músicas a
serem construídas, várias ideias soltas. Portanto, tenho a certeza que
vou estar a lançar uma música nova nos próximos tempos. A forma como as
vou agrupar ainda não é certa. O single já está disponível no YouTube. Como é que se realizou a produção do videoclip?Este
videoclip foi gravado no Solar da Graça, com a Cão de Fila Produções e
nós construímos o cenário do zero. É a primeira vez que gravo um
videoclip com o cenário construído do zero. Um deles tinha sido gravado
em casa, outros gravados na natureza. Este foi mesmo construído do nada.
Eles trabalharam muito e muito bem. A produção do videoclip foi uma
coisa ainda um bocadinho complexa e demorada. Demorou umas semanas e era
impossível ter demorado menos, porque a complexidade da produção e da
construção do cenário pedia exatamente isso. Mas fiquei satisfeita com o
resultado e acho que eles fizeram um trabalho incrível.Já tem alguns concertos previstos ou continua a ser afetada pelos constrangimentos da pandemia?Eu
consegui dar um concerto no domingo, na Praça do Emigrante, ao ar
livre, que me soube muito bem depois de tanto tempo sem voltar a um
palco. Mas este verão o que eu tenho feito basicamente são concertos no
Eco Resort de Santa Bárbara, durante a hora de jantar no restaurante
deles, e no Hotel Terra Nostra também, uma vez por semana.Nós já
temos uma data para o reagendamento do concerto no Coliseu Micaelense,
que foi cancelado devido à Covid, e que espero anunciar em breve.