Frente Comum diz que adesão à greve mostra bem a insatisfação e acena com novas lutas
27 de out. de 2023, 14:24
— Lusa
Numa conferência de imprensa em
que fez o último balanço deste dia de greve geral da função pública,
Sebastião Santana adiantou que a adesão à greve foi transversal a todo o
país e a todos os setores, havendo registo de escolas encerradas assim,
como serviços de Centros de Saúde, tribunais, serviços de finanças, do
Instituto de Segurança Social, de serviços de câmaras e de empresas
municipais.Por todo o país, assinalou, há
ainda registo de várias Lojas do Cidadão, monumentos, museus e sítios
arqueológicos encerrados ou com perturbações no funcionamento, e vários
hospitais a assegurar apenas serviços mínimos.Também
na região autónoma dos Açores, disse, há escolas encerradas em quase
todas as ilhas do arquipélago, sendo que os hospitais da Terceira, Faial
e S. Miguel estão a assegurar apenas serviços mínimos."É
uma grande, grande greve dos trabalhadores da administração pública,
uma das maiores a que assistimos nos últimos anos, com uma taxa adesão a
rondar os 90% em toda a administração pública", sublinhou Sebastião
Santana, considerando que este resultado é "o espelho daquilo que se
passa" e das medidas que o Governo tem tomado, nomeadamente "neste
Orçamento do Estado", que contempla uma proposta de aumentos salariais
que "mantém" os funcionários públicos a "empobrecer".O
coordenador da Frente Comum avisou também que "com certeza" a "luta não
vai ficar por aqui", se o "Governo não ouvir o protesto de hoje",
considerando que o executivo "tem o tempo, espaço e recursos financeiros
para se voltar a sentar à mesa negocial"."A
luta de hoje foi inequívoca e com certeza que não vamos ficar por
aquilo caso o Governo persista nesta tendência de empobrecimento dos
trabalhadores e dos serviços da administração pública", sublinhou.A
data para a realização desta greve, notou, "não foi marcada por acaso",
referindo esperar que durante o processo de aprovação da proposta do
Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) possa haver espaço para melhorar
os aumentos salariais previstos para a função pública."Se
não houver nada, haverá a repetição do que já se passou no passado",
disse Sebastião Santana, numa alusão à greve que a Frente Comum convocou
no início de 2023 e aos aumentos salariais intercalares.O
coordenador da Frente Comum afirmou ainda que as negociações sobre a
revisão do sistema de avaliação da função Pública (Siadap) – "que são um
sistema de avaliação para deixar os funcionários públicos estagnados" –
são "uma porta aberta" para o Governo voltar a sentar-se à mesa com os
sindicatos e fazer uma proposta que reponha a perda de poder de compra,
numa conjuntura de subida do custo de vida e dos juros.A
Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública (da CGTP) anunciou
em 09 de outubro a greve nacional de trabalhadores que hoje decorre,
considerando que a proposta do Governo de aumentos salariais para 2024
"é miserabilista".Para o próximo ano está previsto um aumento salarial mínimo de 52 euros ou de 3% para os trabalhadores da administração pública.A
Frente Comum reivindica um aumento dos salários em pelo menos 15%, com
um mínimo de 150 euros por trabalhador, para fazer face ao "brutal
aumento do custo de vida".