Frente Cívica pede suspensão de atribuição da cidadania a descendentes sefarditas
14 de mar. de 2023, 08:37
— Lusa/AO Online
A
associação Frente Cívica indicou ter escrito, na segunda-feira, à
ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, a pedir ainda a
anulação da naturalização em casos que tenham violado a lei, dando como
exemplo o milionário russo Roman Abramovich.A
carta, assinada pelo presidente e vice-presidente da Frente Cívica,
Paulo de Morais e João Paulo Batalha, exigiu também a publicação de uma
lista de todos os cidadãos naturalizados ou com processos pendentes e
“que se enquadrem na definição de Pessoas Politicamente Expostas”.A
Frente Cívica pediu à ministra urgência na finalização do inquérito que
o Governo lançou a suspeitas de abusos na atribuição da nacionalidade e
que “faça um ponto de situação público sobre o andamento das
investigações, incluindo o prazo previsível para a sua conclusão”.A
naturalização de Abramovich está no centro da “Operação Porta Aberta”,
envolvendo alegadas irregularidades cometidas em processos de atribuição
da nacionalidade a descendentes de judeus sefarditas, originários da
Península Ibérica que foram expulsos de Portugal no século XVI.Após
dúvidas levantadas por eventuais ilegalidades na atribuição da
nacionalidade a descendentes de judeus sefarditas, o rabino da
Comunidade Israelita do Porto (CIP), Daniel Litvak, foi detido em março
de 2022 pela Polícia Judiciária e ficou a aguardar o desenvolvimento do
processo com termo de identidade e residência, entregando ainda o
passaporte (esta última medida foi entretanto revogada por decisão da
Relação de Lisboa).Também o advogado Francisco de Almeida Garrett, vogal da direção da CIP, foi constituído arguido no caso.A
investigação no âmbito do processo de Abramovich implicou a realização
de buscas e envolve suspeitas de vários crimes, nomeadamente tráfico de
influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento
de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa, indicaram
então a PJ e o MP num comunicado conjunto.No
comunicado, a Frente Cívica lembra que o jornal francês Le Monde
descreveu a naturalização ao abrigo da "lei dos sefarditas" como "O novo
Eldorado do passaporte português""A
exposição reiterada de Portugal como porto seguro para criminosos
internacionais envergonha os portugueses aos olhos do mundo”, refere-se
na carta.“A repetição cíclica de notícias
como esta devia convocar o Estado português ao urgentíssimo
esclarecimento dos abusos à ‘lei dos sefarditas’", escreveu a Frente
Cívica.“Esta demora incompreensível no
esclarecimento da verdade e na responsabilização dos envolvidos por
parte do Governo traça o retrato de uma inércia cúmplice com os abusos",
lamentou a associação.Quase um ano depois
de o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) ter confirmado a
existência de um inquérito e consequente abertura de um processo
disciplinar relacionado com a atribuição da nacionalidade portuguesa ao
empresário russo, a agência Lusa perguntou no dia 06 deste mês ao
próprio Instituto se o processo disciplinar já está concluído e se sim,
quais foram as sanções aplicadas. A Lusa ainda não obteve resposta.