Frente Cívica pede a Luís Montenegro que cobre indemnizações à REN
Apagão
23 de mai. de 2025, 11:50
— Lusa/AO Online
"A atividade
económica parou, negócios perderam stocks de produtos perecíveis, os
portugueses temeram pela sua segurança, e em pelo menos um caso, a falha
de energia provocou ou contribuiu para a morte de uma pessoa", recorda a
associação, numa carta enviada na quinta-feira.O
Ministério da Saúde anunciou, a 1 de maio, que ordenou uma
averiguação das circunstâncias da morte de uma mulher de 77 anos que
estava ventilada e que terá morrido, alegadamente, em consequência do
apagão de 28 de abril.A Frente Cívica
apontou a REN como "responsável por este e outros prejuízos", uma vez
que "é a esta empresa que compete fazer a gestão global da rede elétrica
e garantir o fornecimento do serviço elétrico em contínuo e em
permanência"."A este nível, na sua primeira e principal missão, a REN falhou em toda a linha, ou em toda a rede", lê-se na missiva."Dado
que a REN fracassou na função que lhe foi atribuída pelo Estado e pelos
portugueses, deve agora indemnizar-nos a todos enquanto cidadãos",
defendeu a associação.A Frente Cívica
exortou o Governo a cobrar à gestora das redes nacionais uma
indemnização no valor de 780,5 milhões de euros, o mesmo valor que a
associação estimou para o prejuízo do apagão de 28 de abril.Esta
indemnização permitiria "ao Estado acudir aos prejuízos incorridos
pelos agentes económicos afetados pelo apagão", referiu a carta."Na
eventualidade de não conseguir indemnizar, a REN poderá sempre entregar
a concessão de volta ao Estado português, legítimo representante dos
cidadãos ludibriados pela sua incúria", concluiu a Frente Cívica. Os
prejuízos provocados pelo apagão atingem, pelo menos, três milhões de
euros no setor do leite e laticínios, estimou a Confederação das
Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri), que
reclama ajudas do Governo.Também a
Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) já reclamou a
criação de uma linha de apoio, perante os custos decorrentes do apagão,
que levou a que animais deixassem de ser enviados para consumo.A
carta enviada a Luís Montenegro é assinada por Paulo de Morais e João
Paulo Batalha, respetivamente presidente e vice-presidente da Frente
Cívica.Paulo Morais, que já foi
vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, vai ser candidato pelo PSD
nas próximas autárquicas à Câmara de Viana do Castelo e esteve com
Montenegro durante a campanha para as legislativas antecipadas de 18 de
maio.