Freguesias questionam estatuto de observador na revisão da Lei das Finanças Locais
Hoje 12:28
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a Anafre, que há dias havia saudado a criação do grupo de
trabalho em causa, adianta que apresentou um “pedido formal de
esclarecimento” sobre o estatuto que lhe foi atribuído, considerando que
“levanta reservas quanto à possibilidade de participação plena e
efetiva da estrutura representativa das freguesias portuguesas”.A
Anafre considera que reduzir a sua participação “à mera condição de
‘observador’ é incompatível com o seu papel institucional e com a
relevância das matérias em discussão”, exigindo que o processo em curso
garanta às freguesias “uma voz efetiva e uma intervenção substantiva, à
altura da importância que o poder local de proximidade assume na coesão
territorial e no funcionamento do Estado”.Citado
no comunicado, o presidente da Anafre, Francisco Branco de Brito,
sublinha que em causa está “a falta de clareza” quanto aos direitos e às
limitações do estatuto de observador, “designadamente no que respeita à
possibilidade de intervir, apresentar propostas e participar ativamente
nos trabalhos”.A Anafre defende que “a
revisão da Lei das Finanças Locais é prioritária e inadiável”, uma vez
que “as freguesias têm vindo a assumir responsabilidades crescentes,
respondendo diariamente a necessidades concretas das populações, muitas
vezes com recursos manifestamente insuficientes face às exigências que
sobre elas recaem”.Por isso, considera
“essencial” que a revisão da Lei das Finanças Locais “garanta a
sustentabilidade financeira das freguesias, reforce a autonomia do poder
local e adeque os meios disponíveis às competências efetivamente
exercidas”.Para a Anafre, este processo
deve ter como resultado um regime mais equilibrado e ajustado à
realidade do território e que garante a previsibilidade das
transferências.O Governo criou um Grupo de
Trabalho para a Revisão da Lei das Finanças Locais com o objetivo de
reforçar a autonomia da gestão financeira das autarquias, segundo um
diploma publicado em Diário da República (DR).Além
de um representante da Anafre, fazem parte do grupo de trabalho,
igualmente como observadores, um representante da Associação Nacional de
Municípios Portugueses (ANMP) e outro da Associação Nacional de
Assembleias Municipais (ANAM).Do grupo
também farão parte como observadores um representante do gabinete do
primeiro-ministro e representantes (um por cada) dos ministérios das
Finanças, da Presidência, da Economia e da Coesão Territorial, dos
secretários de Estado Adjunto e do Orçamento, dos Assuntos Fiscais e do
Planeamento e Desenvolvimento Regional, bem como dos governos regionais
dos Açores e da Madeira.José Nunes
Liberato, antigo secretário-geral do PSD e chefe da Casa Civil do
presidente Cavaco Silva, vai liderar o grupo de trabalho, constituído
também pelo economista Pedro Mota e Costa, por Marcelo Caetano Delgado,
dirigente da Associação dos Trabalhadores da Administração Local, pelos
diretores-gerais da Entidade Orçamental e das Autarquias Locais e pelo
presidente da Direção Executiva do Fundo de Apoio Municipal.Com
a revisão do Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades
Intermunicipais, o Governo pretende “reforçar a autonomia da gestão
financeira autárquica, dotando as autarquias locais, as áreas
metropolitanas e as comunidades intermunicipais das capacidades
necessárias para assumir a gestão dos serviços públicos
descentralizados”.O Grupo de Trabalho para
a Revisão da Lei das Finanças Locais tem de apresentar ao Governo um
projeto de revisão legislativa, acompanhado de um relatório
justificativo das alterações propostas, até ao final de 2026.