Franqueira Rodrigues quer Açores como sede permanente das operações marítimas da UE
Hoje 16:29
— Filipe Torres
O eurodeputado açoriano socialista André Franqueira Rodrigues defendeu
que os Açores devem tornar-se a sede permanente das operações marítimas
atlânticas da União Europeia(UE), durante a abertura do Annual European
Coast Guard Event 2026, realizado em Ponta Delgada.Segundo uma nota
de imprensa enviada à redação, o encontro reuniu responsáveis das
Agências Europeias para a Segurança Marítima (EMSA), Controlo das Pescas
(EFCA) e da FRONTEX, bem como representantes das autoridades nacionais
de guarda costeira dos Estados-membros da UE.Na sua intervenção,
Franqueira Rodrigues destacou a importância estratégica do arquipélago
para a segurança marítima europeia, sublinhando que os Açores “não estão
à margem da Europa”, mas sim “ na fronteira daquilo que a Europa é e do
que pode vir a ser”. Recordou ainda que a Região possui uma das maiores
Zonas Económicas Exclusivas da UE e que o Centro de Coordenação de
Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada é responsável por uma área
de cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados.O eurodeputado
salientou os avanços alcançados na cooperação entre as agências
europeias, nomeadamente através das dezasseis Operações Marítimas
Multiusos realizadas desde 2019 e dos mecanismos de partilha de
informação em tempo real entre as autoridades marítimas dos
Estados-membros.Apesar dos progressos, alertou para a pesca ilegal,
não declarada e não regulamentada nas águas dos Açores e nas suas
imediações. Defendeu, por isso, um reforço da presença operacional no
Atlântico e apelou a um compromisso político que permita mobilizar de
forma sistemática os recursos das três agências europeias na região.Franqueira
Rodrigues abordou igualmente o atual contexto geopolítico, considerando
que a Europa deve desenvolver uma capacidade autónoma de atuação no
mar.Referindo-se à autorização unilateral dos Estados Unidos para a
mineração em águas internacionais, em 2025, afirmou que uma relação
baseada numa liderança americana permanente não é uma parceria, mas sim
“dependência”, o que considera uma “vulnerabilidade” para a Europa.O
socialista garantiu ainda o empenho do Parlamento Europeu em reforçar
os meios das agências marítimas no próximo Quadro Financeiro Plurianual e
defendeu uma distribuição mais equilibrada dos recursos, advertindo que
as regiões ultraperiféricas “não podem ser as últimas a receber atenção
e as primeiras a perder financiamento”.A edição do evento nos
Açores foi considerada ainda pelo eurodeputado um reconhecimento da
importância do Atlântico e do papel estratégico do arquipélago na
segurança marítima da UE.