Francisco vai ter funeral mais simples do que antecessores
Óbito/Papa
21 de abr. de 2025, 09:12
— Lusa/AO Online
Jorge Mario Bergoglio, que
escolheu o nome pelo qual desejava ser conhecido numa homenagem a São
Francisco de Assis, o santo dos pobres, eliminou, por exemplo, a
obrigação de os papas serem enterrados nos tradicionais três caixões, de
cipreste, chumbo e carvalho, optando por apenas um caixão.Segundo
uma norma estabelecida em 1996 por João Paulo II, os funerais papais
devem realizar-se entre o quarto e o sexto dias após a morte, tendo o
seu ocorrido seis dias depois.Em relação
ao rito, Francisco aprovou em 2024 uma segunda edição do “Ordo
Exsequiarum Romani Pontificis”, o livro litúrgico aprovado em 1998 por
João Paulo II e publicado em 2000.O
arcebispo Diego Ravelli, mestre das celebrações litúrgicas, explicou em
novembro de 2024, na altura em que o Papa recebeu o primeiro exemplar do
livro impresso, que Francisco “pediu […] para simplificar e adaptar
alguns ritos para que a celebração das exéquias do bispo de Roma
exprimisse melhor a fé da Igreja em Cristo Ressuscitado”.“Além
disso, o rito renovado devia sublinhar ainda mais que o funeral do
romano pontífice é o de um pastor e discípulo de Cristo e não o de um
homem poderoso deste mundo”, acrescentou, em declarações ao portal de
notícias do Vaticano.De acordo com as
novas regras, as celebrações mantêm as três etapas clássicas - a
residência do Papa falecido, a Basílica de São Pedro e o local da
sepultura -, mas a verificação da morte passa a acontecer na capela
privada do defunto, em vez do quarto, e o corpo deve ser depositado num
caixão de madeira, com interior de zinco, antes de ser transferido para a
basílica.Neste local, onde decorre o
velório, o corpo deverá ser exposto diretamente no caixão, sendo depois,
como escolheu Francisco, enterrado na Basílica de Santa Maria Maior, em
Roma, e não na cripta da Basílica de São Pedro, onde estão enterrados a
maioria dos papas.Bento XVI e o seu
antecessor João Paulo II foram enterrados nas Grutas do Vaticano, tendo
as exéquias do primeiro seguido em geral o modelo das de um sumo
pontífice, apesar de já não ocupar o cargo e não estar regulamentada a
figura do Papa emérito.As cerimónias
fúnebres de João Paulo II iniciaram-se no dia em que morreu, a 02 de
abril de 2005, com a entoação do Salmo conhecido como “De profundis”
(das profundezas) logo após o anúncio da sua morte e antes de os sinos
começarem a tocar nas igrejas de Roma.O
corpo ficou em câmara ardente na Basílica de São Pedro, aberta ao
público, desde dois dias depois da morte até à véspera do enterro, no
dia 08 abril, data decidida pelo Colégio dos Cardeais.A
missa fúnebre, celebrada no adro da Basílica, durou duas horas e meia e
o caixão foi transportado para a cripta onde foi colocado num segundo
caixão e num terceiro antes de ser sepultado sob uma lápide com as datas
de nascimento e morte de João Paulo II e o nome inscrito em latim.Assistiram
ao funeral perto de um milhão de pessoas, entre as quais cerca de duas
centenas de dirigentes de todo o mundo, incluindo o então Presidente da
República português Jorge Sampaio, sentados numa tribuna de honra
colocada no adro da Basílica, enquanto em todo o mundo milhões
acompanharam as cerimónias pela televisão, em ecrãs gigantes colocados
em praças, ruas e igrejas.O Papa Francisco morreu hoje, anunciou o Vaticano, através do cardeal Kevin Ferrell.O Papa Francisco tinha 88 anos e esteve internado recentemente devido a uma pneumonia bilateral.