Francisco escreveu que a morte não é o fim em prefácio inédito de livro
Óbito/Papa
22 de abr. de 2025, 09:15
— Lusa/AO Online
"A
morte não é o fim de tudo, mas o início de algo. É um novo começo, como
o título [do livro de Scola] claramente realça, porque a vida eterna,
que aqueles que amam já experimentam na Terra nas suas atividades
quotidianas, é o início de algo que nunca terminará”, afirmou o Papa no
texto publicado pela comunicação social italiana.“E
é precisamente por isso que é um novo começo, porque experimentaremos
algo que nunca experimentámos plenamente: a eternidade", referiu o
texto.Este é o prefácio, datado de 7 de
fevereiro, do livro de Scola, arcebispo emérito de Milão, intitulado "À
espera de um novo começo: reflexões sobre a velhice", que será posto à
venda esta semana.Francisco escreveu este
prefácio antes de ser hospitalizado com uma pneumonia bilateral, devido a
qual esteve durante 38 dias no hospital, até 23 de março.O
Papa morreu segunda-feira aos 88 anos, após 12 anos de um pontificado
marcado pelo combate aos abusos sexuais, guerras e uma pandemia.“Não
devemos ter medo da velhice, não devemos ter medo de aceitar o
envelhecimento, porque a vida é vida, e mascarar a realidade significa
trair a verdade das coisas. Restituir o orgulho a um termo que é muitas
vezes considerado doentio é um gesto pelo qual devemos estar gratos ao
cardeal Scola. Porque dizer 'velho' não significa 'ser descartado', como
uma cultura degradada do descartável nos leva, por vezes, a crer",
afirmou o Papa.Francisco acrescentou que
“dizer 'velho', por outro lado, significa dizer experiência, sabedoria,
conhecimento, discernimento, reflexão, escuta, lentidão...valores de que
precisamos desesperadamente!"O Papa recomendou ainda viver a velhice “como uma graça, não com ressentimento”. "Se
acolhemos com gratidão e apreço o tempo [mesmo longo] em que
experimentamos o declínio das forças, o aumento do cansaço físico,
reflexos que já não são os mesmos da juventude, bem, também a velhice se
torna uma idade de vida", acrescentou Francisco. Nascido em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta a chegar à liderança da Igreja Católica.Francisco
esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral,
tendo tido alta em 23 de março. A última aparição pública foi no domingo
de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer.