Francisco diz que crise sacerdotal convoca a uma igreja mais próxima e compaixão
Papa/Moçambique
5 de set. de 2019, 17:53
— Lusa/AO Online
"Perante a crise da identidade
sacerdotal, temos que voltar aos lugares para onde fomos chamados" pela
vocação de servir, afirmou Francisco, falando aos bispos, sacerdotes,
seminaristas, catequistas e animadores, na Catedral da Imaculada
Conceição, em Maputo.O chefe da Igreja
Católica, retratando uma realidade muito comum em Moçambique e em
África, declarou que a comunidade se entristece “com os que choram a
perda de um querido, o menino que ficou órfão, aquela mãe que morreu de
Sida e com a avó encarregada de tantos netos". A
comunidade católica, prosseguiu, deve também estar atenta ao desemprego
nas cidades, que levam ao desespero jovens migrados do campo."Para
nós, sacerdotes, as histórias do nosso povo não são o noticiário [para
mediatização]", porque, salientou, “conhecemos a nossa gente, podemos
adivinhar o que se passa nos seus corações, sofrendo com eles".A
Igreja Católica deve procurar o seu lugar junto do povo fiel de Deus e,
principalmente, incitar à compaixão pelos que passam as maiores
dificuldades, frisou.O catolicismo,
prosseguiu, deve evitar sucumbir ao mundanismo material estimulado pelo
consumo excessivo, seguindo a austeridade."Ninguém
de nós é chamado para um lugar importante, o sacerdote é uma pessoa
muito pequena, o mais pobre dos homens, o servo mais inútil", insistiu.O
Papa elogiou a inserção da Igreja Católica nas comunidades
moçambicanas, enfatizando a necessidade de compreensão das dificuldades
que as populações enfrentam."Obrigado pelos vossos testemunhos que falam das horas difíceis que se vive, mas admirando a misericórdia de Deus”, agradeceu.O
Papa Francisco cumpre hoje o primeiro de dois dias da visita a
Moçambique, no âmbito de um périplo por África, que o levará também a
Madagáscar e às Maurícias.Francisco é o
segundo chefe máximo da Igreja Católica a deslocar-se a Moçambique,
depois de João Paulo II ter visitado o país em 1988.