Francisco César sublinha “marca indelével” na história da autonomia açoriana
Óbito/Laborinho Lúcio
23 de out. de 2025, 10:05
— Lusa/AO Online
O
antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio morreu esta quinta-feira aos 83
anos em casa, confirmou à agência Lusa o presidente da Câmara da Nazaré,
Manuel Sequeira (PS).Na nota de pesar,
Francisco César sublinha o exemplo de “integridade, humanismo e serviço
público” de Laborinho Lúcio, recordando que foi ministro da República
para os Açores entre 2003 e 2006, durante a presidência de Jorge
Sampaio.Segundo o líder do PS/Açores,
durante o seu mandato, Laborinho Lúcio “pautou a relação entre o Estado e
a região pelo respeito institucional, pelo diálogo construtivo e por
uma permanente preocupação com o desenvolvimento equilibrado” das ilhas
do arquipélago.“Foi um homem de Estado,
íntegro, profundamente respeitado, que sempre valorizou os Açores e a
autonomia regional com uma postura de diálogo, ponderação e sentido de
serviço público”, afirmou Francisco César.Em
nome do PS açoriano, o dirigente apresenta as “mais sinceras
condolências à sua família e amigos, com profundo reconhecimento pelo
legado de dignidade e de serviço ao bem comum que deixa ao país e aos
Açores”.Laborinho Lúcio foi secretário de
Estado da Administração Judiciária e ministro da Justiça em 1990,
durante o Governo de Cavaco Silva, e ministro da República para os
Açores, em 2003, durante a presidência de Jorge Sampaio.Foi
também Procurador da República junto do Tribunal da Relação de Coimbra,
inspetor do Ministério Público, Procurador-Geral-Adjunto da República,
diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos
Judiciários.Na Nazaré, foi presidente da Assembleia Municipal.Mais recentemente, integrou a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.A notícia da morte de Laborinho Lúcio foi avançada inicialmente pela CNN.Álvaro
Laborinho Lúcio nasceu na Nazaré em 01 de dezembro de 1941. Na
juventude, foi ator amador, tendo participado na criação do Grupo de
Teatro da Nazaré.Ingressou na Faculdade de
Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito e
obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas.Laborinho
Lúcio foi membro, entre outras, de associações como a APAV - Associação
Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, de que é sócio fundador.Entre
2013 e 2017, foi presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho e
membro eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.Laborinho
Lúcio estreou-se na escrita de ficção narrativa em 2014, com “O
Chamador”, na Quetzal, editora pela qual lançou mais quatro títulos até
ao ano passado: “O Homem que Escrevia Azulejos”, “O Beco da Liberdade”,
“As Sombras de uma Azinheira” e o livro de crónicas e outros textos “A
Vida na Selva”.Já este ano, em março,
editou, pela Zigurate, com Odete Severino Soares e ilustrações de
Catarina Sobral, o livro “Marília ou a Justiça das Crianças”.Foi condecorado em 2005 pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.