Francisco César diz que Governo não sabe o que quer fazer sobre Subsídio de Mobilidade
Hoje 15:17
— Lusa/AO Online
Num
comunicado conjunto, o Ministério de Estado e das Finanças e o
Ministério das Infraestruturas e Habitação adiantam que a "exigência de
não existência de dívidas fiscais fica suspensa até 31 de janeiro" e
que, durante esse período, o Governo vai "avaliar com os governos
regionais" a aplicação da medida."O
adiamento permitirá ao Governo avaliar, em conjunto com os governos
regionais, a aplicação da medida, até à plena operacionalização da
plataforma", lê-se no comunicado.Em
declarações à agência Lusa, o líder do PS/Açores Francisco César
comentou que o executivo liderado por Luís Montenegro "é totalmente
caótico na forma como gere os dossiers"."É
caso para dizer que uma mão não sabe o que é que a outra está a fazer.
Tudo isto começou mal e parece-me que vai acabar mal. Em primeiro lugar,
o Governo toma uma decisão 15 dias depois de tomar outra, exatamente no
sentido contrário", disse.E prosseguiu:
"O comunicado desmente integralmente o senhor primeiro-ministro quando
diz que o Subsídio Social de Modalidade é um instrumento fundamental de
coesão social e territorial. E, portanto, se é um instrumento
fundamental de coesão social e territorial, como nós sempre dissemos,
nunca fez sentido a aplicação desse critério de não dívidas ao Estado".Depois
de referir que quando "parecia que o Governo tinha, finalmente, voltado
atrás", percebe-se que suspende a decisão "apenas durante 15 dias"."Ora,
os açorianos já não sabem como é que hão de trabalhar com este Governo e
com que regras é que hão de seguir. Suspende-se durante 15 dias para
falar com o Governo Regional. Bom, o Governo Regional já deu a sua
opinião sobre o assunto, o parlamento dos Açores já deu a sua opinião
sobre o assunto, os deputados da Assembleia da República eleitos pelos
Açores também já transmitiram a sua posição", alegou.O
também deputado à Assembleia da República salientou que nos próximos 15
dias acontecem eleições, admitindo que aquilo que lhe parece é que ou
"isto é uma manobra totalmente eleitoralista por causa das eleições
presidenciais, o que é grave", ou então, o Governo percebeu que no
parlamento a proposta do PS para eliminação desse critério "vai
acontecer e quis fazer parecer que isso decorreu de uma negociação e não
de uma derrota política".Em relação a
este assunto, também disse que dá para adaptar o velho ditado e afirmar
que em "casa onde não há governo, todos ralham e ninguém tem razão"."Neste
caso, os únicos que têm [razão] são os açorianos que não querem a
aplicação deste modelo e o Governo não sabe verdadeiramente o que é que
quer fazer", comentou.A 06 de janeiro foi
publicada uma alteração à portaria que define o modo de proceder ao
apuramento do valor do subsídio social de mobilidade, que introduziu
como critério para acesso ao reembolso das passagens a "regularidade da
situação contributiva e tributária do beneficiário, perante a Segurança
Social e a Autoridade Tributária e Aduaneira".A
medida gerou contestação dos governos regionais e dos partidos
políticos dos Açores e da Madeira, que acusaram o Governo de discriminar
os cidadãos das regiões autónomas. Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade prevê a atribuição de um
reembolso a residentes, residentes equiparados e estudantes das duas
regiões autónomas, que resulta da diferença entre o custo elegível da
passagem, paga na íntegra pelo passageiro, e a tarifa máxima suportada
pelo residente, definida por portaria.