Francisco César diz que estado dos transportes nos Açores é “indigno"
12 de jun. de 2025, 17:54
— Lusa/AO Online
Segundo
Francisco César, os próximos tempos “não vão ser fáceis” e a Região
Autónoma dos Açores tem “problemas sérios para resolver”, com destaque
para as finanças públicas e os transportes aéreos e marítimos.“As
finanças públicas vivem uma situação muito preocupante e desagradável e
degradante. A situação da [companhia aérea] SATA é insustentável. A
empresa vive num colapso estrutural que vai, neste momento, muito para
além de um problema financeiro”, disse no discurso proferido na abertura
das jornadas parlamentares socialistas, nas Furnas, no concelho da
Povoação, na ilha de São Miguel.Ainda em relação à SATA, admitiu que “já não se trata apenas de equilibrar contas, trata-se de salvar a empresa”.“Trata-se,
sobretudo, de garantir aos açorianos o seu direito à mobilidade (…),
que têm uma empresa que os serve, e trata-se, sobretudo, de dar uma
palavra de esperança aos trabalhadores que trabalham todos os dias para
que essa empresa continue a voar”, especificou.Para
o líder socialista, o que se está a passar “em todos os transportes,
nos Açores, é indigno de uma Região Autónoma que se diz moderna,
europeia e coesa”.“Hoje, nós temos
açorianos que não conseguem sair da sua ilha, porque não há avião,
porque os que há estão cheios, porque os horários são desajustados,
porque não há barco ou navio, ou porque as rotas foram abandonadas”,
disse.Acrescentou que existem açorianos
doentes, a viver em ilhas sem hospital, “que esperam dias, por vezes
semanas, por uma vaga no avião que os leve ao encontro de uma consulta,
de um tratamento ou de cuidados de saúde que deviam ser um direito
garantido e não uma incerteza permanente”.No
setor empresarial, disse ter conhecimento de empresários “que veem os
seus negócios comprometidos por atrasos sucessivos no transporte de
mercadorias” pela via marítima.“Há ilhas
onde o navio não chega a tempo, onde as encomendas se acumulam, onde os
prejuízos crescem, afetando empresas, empresários, trabalhadores e
economias locais. Passam-se dias e semanas e os atrasos continuam sem
que o Governo Regional cumpra aquela que é a sua responsabilidade:
resolver os problemas”, afirmou.Francisco
César referiu que o mais grave é que o Governo Regional de coligação
PSD/CDS-PP/PPM “assiste a tudo isto praticamente em silêncio, sem
soluções estruturais, com remendos aplicados à pressa, com respostas de
emergência que não resolvem nada de forma duradoura”.“É caso para dizer: não há estratégia, não há coragem e não há, sobretudo, liderança”, declarou.Lembrou
que o PS manifestou predisposição para arranjar soluções para os
problemas referidos, mas dada a ausência de diálogo e de trabalho
conjunto com o executivo regional, o partido apresentará soluções
alternativas.O dirigente socialista
anunciou o lançamento dos Estados Gerais do PS/Açores, um processo de
escuta, participação e construção coletiva de propostas para o futuro da
região.“Lançaremos os Estados Gerais
porque acreditamos que só ouvindo as pessoas, conhecendo os problemas
reais, podemos apresentar soluções concretas. O futuro não se espera,
constrói-se”, afirmou Francisco César.Sublinhando
o compromisso do PS com uma governação de proximidade e com uma visão
reformista, garantiu que os socialistas açorianos estarão onde for
preciso, “seja em Lisboa ou em cada ilha dos Açores, para garantir que
nenhum açoriano fica para trás”.O grupo
parlamentar do PS/Açores realiza hoje e sexta-feira as suas Jornadas
Parlamentares na ilha de São Miguel, com especial destaque para os
concelhos da Povoação e de Vila Franca do Campo.