Francisco César defende um “novo compromisso” com o setor social dos Açores
Hoje 17:54
— Lusa/AO Online
O
socialista, que visitou o novo Centro de Atividades para
Capacitação e Inclusão (CACI) e Lar Residencial da Santa Casa da
Misericórdia de Santo António, no concelho da Lagoa, alertou para as
dificuldades financeiras das instituições particulares de solidariedade
social (IPSS), defendendo que as instituições “não podem continuar a
servir de banco ao Governo Regional”. Segundo
Francisco César, há respostas sociais cujo custo real é superior ao
valor transferido pelo Governo Regional, dando como
exemplo os lares residenciais para idosos, “onde o apoio ronda os 1.580
euros por utente, quando o custo real se situa nos 1.800 euros e, em
algumas ilhas, chega aos 2.200 euros”.“O
que faríamos [se o PS liderasse o executivo] era simples: dar
previsibilidade às IPSS desde o início do ano, garantir que nenhuma
resposta social é contratada abaixo do seu custo real e criar acordos
plurianuais que permitam às instituições planear, contratar e prestar
serviços com estabilidade”, afirmou, citado numa nota de imprensa do
partido.Francisco César defendeu também um
mecanismo transitório de apoio de tesouraria para instituições em maior
dificuldade, para garantir o pagamento atempado de salários, subsídios
de férias e subsídios de Natal. “Quem
cuida dos nossos idosos, das nossas crianças e das pessoas com
deficiência merece respeito, estabilidade e segurança”, afirmou. O
líder socialista voltou a defender a separação das áreas da Saúde e da
Solidariedade Social na orgânica do atual Governo Regional, considerando
que “concentrar tudo na mesma tutela é um erro de base”. “A
boa política social não se mede apenas por inaugurações. Mede-se pela
capacidade de transformar investimento em respostas concretas para quem
precisa”, justificou, destacando que o equipamento social visitado
na ilha de São Miguel, com capacidade para cerca de 48 utentes, está
concluído, mas continua sem abrir as portas por “falta de acordo de
cooperação e de contratação dos profissionais necessários”.Ou
seja, notou, existe “uma infraestrutura pronta, que custou cerca de
sete milhões de euros, com material no local, mas ainda por
desempacotar”.“Falta assinar o acordo de
cooperação valor cliente que permitirá contratar os profissionais
necessários”, explicou, insistindo que quem perde com a situação não é a
instituição, mas sim os 48 utentes que “aguardam por uma resposta que
merecem”. Francisco César defendeu ainda
que cada obra social financiada com dinheiros públicos deve ter, desde o
início, “um calendário de abertura, os acordos preparados, os
profissionais previstos e os recursos garantidos”. “O investimento social só cumpre o seu objetivo quando abre portas e responde às famílias”, reforçou.