Francisco César alerta para “normalização do incumprimento” pelo executivo açoriano
22 de jul. de 2025, 17:35
— Lusa/AO Online
“Este
Governo [Regional] tem de começar a assumir as suas responsabilidades. E
nós sabemos que esta governação tem tido imensos problemas, muitos
problemas. Aliás, parece que, nos Açores, há uma espécie de normalização
do incumprimento”, disse Francisco César na abertura das jornadas
parlamentares socialistas, na ilha Graciosa.Para
Francisco César, “é normal não pagar a fornecedores, é normal a
[companhia aérea] SATA não apresentar as contas a tempo, é normal as
aulas arrancarem sem professores, é normal os apoios que são dados a
instituições serem sempre metade daqueles que foram solicitados. É
normal, inclusive, pagar-se no ano de 2025 os apoios de 2024. É tudo
normal”.Para o dirigente socialista, “há
uma nova normalização que eles [governantes] impõem, que é não só a
normalização de incumprimento, como a normalização do isolamento”.“Ou
seja, é normal agora, para além dos problemas que já temos na economia
regional, (…) nas ilhas sem hospital não terem acesso à saúde, (…) nas
ilhas mais afastadas não terem acesso a transportes aéreos em
qualidade?”, questionou.De seguida,
Francisco César deu alguns exemplos de problemas que existem na Região
Autónoma dos Açores, a começar pela saúde, com listas de espera e
dificuldades no acesso a consultas de especialidade.Nos
transportes marítimos, apontou que as alterações sugeridas pelo atual
executivo “criaram o caos total”, o mesmo acontecendo com os transportes
aéreos e com a mobilidade interilhas.Ao nível das ilhas mais pequenas, também alertou para problemas no fornecimento de cimento, que passou a ter um custo acrescido.No
turismo, referiu o caso da ilha Graciosa onde, pelos dados dos
primeiros cinco meses de 2025, “as dormidas caíram cerca de 20% em
relação ao ano passado e 40% em relação a 2019”, sendo a única ilha que
ainda não recuperou os valores que existiam antes da pandemia.No
discurso, o líder dos socialistas açorianos também disse que o Governo
Regional liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro apresenta,
há cinco anos, como resultado da sua governação, duas medidas
emblemáticas: a descida dos impostos e a Tarifa Açores (que permite
viagens interilhas aos residentes a 60 euros).“Agora,
nós não podemos baixar impostos e depois não conseguir pagar as nossas
contas. Nós não podemos querer baixar impostos e depois não haver
capacidade no plano de investimentos para executar, por exemplo, os
edifícios de creche fundamentais para que todas as crianças possam ter
acesso às creches. Nós não podemos querer baixar as tarifas [aéreas]
interilhas e depois não ter capacidade para financiar a SATA quando ela
precisa”, sustentou.O socialista admitiu
ainda que o executivo tem “conseguido implementar um conjunto de
políticas, porque o Chega tenta fazer um papel (…) que é cantar e
assobiar ao mesmo tempo”.Francisco César
também referiu que o grupo parlamentar socialista apresentou no último
ano ao Governo Regional, através do parlamento, 179 requerimentos e
perguntas, elaborou 86 votos de pesar, congratulação e de protesto e 19
iniciativas.O trabalho realizado demonstra
que o PS é um partido de construção e de alternativa, que sabe “aquilo
que é melhor para os Açores”, admitiu.