Francisco César acusa PSD de adiar solução para subsídio social de mobilidade
Hoje 17:35
— Lusa/AO Online
Segundo um
comunicado do partido, na quinta-feira, na comissão de Infraestruturas,
Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, o PSD conseguiu
“impor um conjunto de diligências parlamentares - nomeadamente audições
-, que empurram para o final do mês a aprovação da proposta apresentada
pelo PS, destinada a corrigir os graves problemas criados pela recente
alteração ao regime” do Subsídio Social de Mobilidade (SSM).Francisco
César, citado num comunicado do PS/Açores, considera trata-se de um
“adiamento deliberado, que contou com a colaboração do presidente da
comissão, também do PSD, que não permitiu sequer que os requerimentos
apresentados pelo PS fossem votados pelo plenário da comissão,
contrariando o que tinha sido anteriormente aprovado pela maioria”.“É
absolutamente incompreensível que, perante um problema que está a
afetar diariamente os açorianos, o PSD prefira atrasar a solução, apenas
porque ela vem de uma proposta do Partido Socialista. Esta atitude
revela uma enorme falta de sentido de responsabilidade para com a
região”, afirmou.Na nota, Francisco César
lembra que a proposta do PS “resolve problemas concretos” que estão a
prejudicar os cidadãos e as instituições dos Açores, nomeadamente
elimina a exigência de situação tributária regularizada para acesso ao
apoio e permite que agências de viagens acedam à plataforma de
reembolso, evitando que os passageiros tenham de suportar
antecipadamente os custos.Além disso,
retira o teto máximo do apoio, garantindo que os açorianos não pagam
mais do que aquilo que está previsto no princípio da mobilidade e altera
a exigência de apresentação imediata do recibo da passagem para que o
passageiro possa receber o SSM, acrescenta.Ainda
segundo Francisco César, a plataforma de reembolso criada pelo Governo
da República, com a colaboração do Governo Regional dos Açores
(PSD/CDS-PP/PPM), “está claramente a falhar, exigindo documentação nunca
antes solicitada, excluindo entidades que tradicionalmente operavam
neste sistema - como agências de viagens e associações desportivas -, e
provocando atrasos significativos nos reembolsos”.“O
resultado é simples: hoje os açorianos estão pior do que estavam. O
sistema funciona pior, paga mais tarde e cria mais obstáculos a quem
precisa de viajar entre os Açores e o continente”, acusa.Para
o líder dos socialistas açorianos, o comportamento do PSD “demonstra
que a prioridade não é resolver o problema, mas sim evitar que o PS
apresente a solução para uma falha que o Governo Regional não conseguiu
resolver”.“Não desistiremos. O PS vai
continuar a trabalhar até que este diploma seja aprovado e até que o
Subsídio Social de Mobilidade volte a funcionar como deve funcionar:
simples, rápido e justo para os açorianos”, acrescenta.Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade prevê a atribuição de um
reembolso a residentes, residentes equiparados e estudantes dos Açores e
da Madeira, que resulta da diferença entre o custo elegível da passagem
aérea entre as regiões autónomas e o continente, paga na íntegra pelo
passageiro, e a tarifa máxima suportada pelo residente, definida por
portaria.A nova plataforma eletrónica para
acesso ao SSM nas viagens entre as regiões autónomas e o continente
ficou disponível em 08 de janeiro.Está
entretanto a decorrer uma petição, subscrita por mais de 5.200 pessoas, a
exigir a suspensão da exigência de recibo para a atribuição do subsídio
social de mobilidade na plataforma eletrónica.Os
peticionários alegam que a exigência da apresentação de recibo “tem
provocado dificuldades reais no acesso ao apoio”, o que “coloca em causa
o princípio da continuidade territorial e a igualdade entre cidadãos”.A 06 de janeiro foi também publicada uma alteração que introduziu como
critério para acesso ao reembolso das passagens a “regularidade da
situação contributiva e tributária do beneficiário, perante a Segurança
Social e a Autoridade Tributária”, medida que motivou críticas de Açores
e Madeira e está suspensa até dia 31.A
Assembleia da República aprovou recentemente, na generalidade, duas
propostas de lei dos parlamentos regionais dos Açores e da Madeira que
dispensam a exigência de situação contributiva regularizada no acesso ao
SSM.Nos Açores, a tarifa máxima suportada
pelos residentes nas viagens (ida e volta) para o continente é de 119
euros e a suportada pelos estudantes é de 89 euros, havendo um limite de
600 euros no custo elegível da passagem.