Francisco Cabral sonha com o ‘top 10’ de pares e com Wimbledon
3 de mai. de 2022, 11:27
— Lusa/AO Online
O jovem natural do Porto e Nuno
Borges, ambos nascidos em 1997, fizeram história no Clube de Ténis do
Estoril, ao tornarem-se na primeira dupla nacional a ganhar o torneio do
circuito ATP, depois de terem conquistado juntos oito títulos
‘challenger’ nos últimos 12 meses, o que abre aliciantes perspetivas ao
melhor jogador português da atualidade na variante de pares.“Como
estou a subir tão rápido, o sonho também começa a ser cada vez maior.
Tenho noção de que tenho muito para aprender, mas estou muito perto de
jogar os meus primeiros torneios do ‘Grand Slam’. Estou a 80 do mundo,
mas não quero pôr nenhum limite. Ganhámos no Estoril Open a vencedores
do ‘Grand Slam’, a jogadores do ‘top 20’ e quero explorar-me, mas o
sonho é ser ‘top 10’, ‘top 5’ quem sabe? Eu acredito em mim”, confessou
Cabral, do alto dos seus 1, 90 metros e de sorriso nos lábios, à agência
Lusa.Francisco Cabral, um esquerdino
natural, mas que joga ténis com a mão direita – no sentido inverso ao de
Rafael Nadal, um destro que, em ‘court’, é esquerdino -, não tem medo
da ascensão meteórica, “zero”, como frisa, porque garante: “Estava e
estou preparado. Não me assusta minimamente.”De
tal forma que já vê a possibilidade de se estrear em torneios do ‘Grand
Slam’ e logo no seu preferido, Wimbledon, “a casa de Roger Federer”, o
seu jogador predileto, embora a sua referência seja o norte-americano
Jack Sock, que, “não sendo jogador de pares, quando joga, ganha”.“Wimbledon
é o meu torneio de sonho. Estou perto, vejo Wimbledon perto, mas não me
vou deslumbrar, tenho de continuar a trabalhar, manter o nível, a boa
atitude e estar disponível. Se estiver disponível e com boa atitude, vou
ganhar jogos e, ganhando jogos, vou entrar em Wimbledon”, prevê o
tenista do Porto, que bateu as suas primeiras bolas aos quatro anos, por
influência do pai, e, entre os nove e os 10 anos, desistiu da natação
para se dedicar ao ténis.Apesar de deter
no seu palmarés nove títulos ‘challenger’, o último conquistado na
companhia do polaco Szymon Walkow, em Praga, no fim de semana do
‘qualifying’ do Estoril Open, é junto de Nuno Borges, um amigo desde os
seus 10/11 anos, que tem construído uma carreira com resultados
consistentes, que alimentam as suas ambições.“Quando
começámos, não pensávamos em jogar pares, porque o objetivo era tentar a
nossa carreira individual. Mas, desde setembro do ano passado, que
optei pelos pares. Acreditava e continuo a acreditar muito no meu
potencial e no nosso potencial enquanto dupla. Não estava à espera
[deste sucesso], mas estava preparado para que acontecesse, porque acho
que nós temos potencial”, justifica o antigo jogador do Sport Club do
Porto, que, dos 19 anos aos 22, esteve no Centro de Alto Rendimento
(CAR), antes de treinar na Escola de Ténis da Maia, com Nuno Borges e o
técnico João Maio.A parceria entre os dois
arrancou de forma esporádica há cerca de seis anos, quando o maiato
teve um mês de férias do ‘College’ e veio para Portugal, onde jogaram
uns ‘futures’, mas a amizade e a empatia vinham desde uma deteção de
talentos de sub-10, em Espinho, como recordou Borges durante o Estoril
Open.Graças a um ‘wild card’ para o Oeiras
Open 2, em abril de 2021, ganharam o primeiro ‘challenger’, e, desde
então, foram mais sete, antes da estreia no circuito ATP com a conquista
do troféu.“A minha teoria é que havendo
uma cumplicidade extra ténis, uma amizade, interesses comuns, acaba por
ajudar dentro do ‘court’. Nós não somos assim tão parecidos, aliás somos
bastante diferentes, mas já estou muito habituado a conviver com ele e
ele comigo, sabemos as rotinas um do outro, respeitamo-nos e, lá dentro,
isso acaba por se refletir. Sei do que ele precisa quando está a ficar
um bocadinho mais nervoso, quando sou eu a ficar nervoso ele também
percebe e tudo isso ajuda”, conta Cabral, reconhecendo ser “difícil
encontrar em outros parceiros” aquilo que tem com Nuno Borges.Apesar
do bom entendimento e da amizade sólida, assim como do “esforço para
jogar juntos”, uma vez que Borges está a investir igualmente numa
carreira de singulares, Francisco Cabral garante não estar totalmente
dependente do amigo.“Este ano não temos
jogado todas as semanas juntos, porque no início do ano os torneios são
mais duros, há também a pré-época e ele está mais cansado. Procurei
outros parceiros, porque quero realmente apostar nos pares e não vou
estar 100% dependente do Nuno, mas ele acaba por ser a minha prioridade,
ele sabe. Mas quando ele não puder, ou não quiser jogar, também tem
abertura para me dizer”, avança o tenista que, atualmente, treina na
companhia de Pedro Sousa e Gonçalo Falcão, no CIF, e algumas vezes no
CAR.Francisco Cabral, ao contrário de
Borges, ‘abdicou’ do sonho de uma carreira profissional em singulares,
algo que lhe “custou muito”, porque sente não ter “explorado até ao
limite” essa possibilidade, mas não se arrepende das suas escolhas e até
de ter deixado para trás o plano B, apesar de ter conseguido, como era
desejo dos pais, “terminar os estudos com uma boa média” (17) para ter
uma segunda opção.“Na fase em que estou,
não tenho plano B e estou muito confortável com isso, os meus pais
também e apoiam-me a 100%. Há um ano e meio meti na cabeça que, se penso
muito no plano B, não estou 100% focado no plano A, portanto optei por
este plano e vou-me focar nele a 200%”, sublinha com a determinação no
olhar que o caracteriza, descrevendo-se como um jogador de pares
“inteligente, com boa antecipação e bom instinto”.Além
da “boa atitude, muito positiva e sempre a puxar para cima” a dupla,
Cabral confia que, “a longo prazo, o querer, ganha jogos”, como espera
que venha a acontecer no Open de Praga, onde ambiciona ganhar mais um
título para, “se calhar, não pensar mais em ‘challengers’ e jogar só
torneios ATP”.