Francesa Audrey Azoulay eleita diretora-geral da UNESCO
13 de out. de 2017, 18:37
— Lusa/AO online
Azoulay
obteve 30 votos dos 58 que compõem o Conselho executivo, e vai
substituir a búlgara Irina Bokova, que ocupou o cargo nos últimos oito
anos. A antiga ministra socialista da Cultura, no cargo entre
fevereiro de 2016 e maio de 2017, especialista em cinema e marcada por
uma infância franco-marroquina, avançou com a candidatura para a
liderança da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e
Cultura (UNESCO) à última hora, em março passado, ao argumentar que “a
França tem grande legitimidade na cultura, educação e nas ciências”. No
decurso da sua campanha citou mesmo o estadista francês e figura do
socialismo, Léon Blum (1872-1950), para quem a UNESCO deveria ser “a
consciência das Nações Unidas”. No entanto, apenas se dedicou
totalmente à eleição para a direção geral da agência da ONU após ter
abandonado o seu ministério, na sequência da vitória de Emmanuel Macron
nas eleições presidenciais de maio. Audrey Azoulay nasceu em
agosto de 1972 em Paris, numa família judia marroquina natural de
Essaouira. O seu pai é o banqueiro e homem político André Azoulay,
conselheiro do atual rei de Marrocos, como foi de seu pai, Hassan II. A
sua mãe é a mulher de letras Katia Brami. A eleição de Audrey
Azoulay só deve ficar confirmada a 10 de novembro com a votação de todos
os Estados-membros – ou ratificação do nome, por todos os
Estados-membros –, na Assembleia geral da ONU.A eleição da nova
diretora-geral quase coincidiu com a decisão dos Estados Unidos, o
principal aliado de Israel, em abandonar a UNESCO, ao acusar a
organização de posições “anti-israelitas”.O Departamento de
Estado norte-americano disse na quinta-feira que a saída entrará em
vigor a 31 de dezembro de 2018, permanecendo como membro de pleno
direito até então.Os Estados Unidos suspenderam em 2011 o seu
financiamento da Unesco devido à votação da organização para incluir a
Palestina como membro. Atualmente, Washington deve cerca de 550 milhões de dólares (465 milhões de euros) à instituição.Pouco
depois do anúncio de Washington, Israel também anunciou que se vai
retirar da UNESCO devido ao “preconceito” anti-israelita que imputa à
instituição, e que considera ter-se tornado num “teatro do absurdo”.