França vai enviar recursos adicionais e aumenta investimento militar
Gronelândia
Hoje 16:47
— Lusa/AO Online
Emmanuel Macron, ao falar
na apresentação de votos de Ano Novo às Forças Armadas na base aérea de
Istres, perto de Marselha, lembrou que a França já destacou “uma
primeira equipa de militares” para o território autónomo dinamarquês
cobiçado pelos Estados Unidos, “No âmbito
de uma missão militar europeia, a França e os europeus devem continuar,
em todos os locais onde os seus interesses estejam ameaçados, a estar
presentes, sem escalada, mas intransigentes no respeito pela soberania
territorial”, afirmou o chefe de Estado francês.Macron salientou que “o papel” da França é o de “estar ao lado de um Estado soberano para proteger o seu território”.Nesse
sentido, o Presidente francês justificou o aumento da despesa militar,
que duplicará ao longo dos seus dez anos no Palácio do Eliseu, devido à
“aceleração da ameaça” e à necessidade de o país “ser temido” num
contexto internacional “difícil”.“A
aceleração dos perigos exige acelerar o esforço de defesa. Para sermos
livres temos de ser temidos, para sermos temidos temos de ser
poderosos”, afirmou.O chefe de Estado
francês anunciou, nesse contexto, uma aceleração do rearmamento, com o
investimento adicional de 36 mil milhões de euros até 2030 nas Forças
Armadas, que inclui também o domínio espacial.“As
nossas ambições espaciais serão reforçadas, tanto civis como
militares”, em colaboração com os parceiros europeus, indicou Macron,
avançando igualmente a realização de uma cimeira dedicada a este tema
nos próximos meses.Sem mencionar
explicitamente a Gronelândia, Macron instou os militares a fazerem
esforços para serem “contundentes neste mundo brutal”, acrescentando que
“todos os esforços contribuem para estarmos preparados, à altura dos
perigos”.O Presidente francês recordou
ainda que foi precisamente no mesmo cenário da base aérea de Istres,
sede do arsenal nuclear francês, a 60 quilómetros de Marselha, que em
2017 anunciou a decisão de aumentar a despesa de defesa de França para
2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2025, objetivo que já foi
alcançado.A Lei de Programação Militar
(LPM), aprovada em julho de 2023, atribui 413 mil milhões de euros às
Forças Armadas entre 2024 e 2030. No
entanto, “perante um mundo cada vez mais brutal”, Macron solicitou mais
3.500 milhões de euros em 2026, dependentes da aprovação do Orçamento
para esse ano, e mais 3.000 milhões em 2027.Com
esta trajetória, o orçamento da defesa terá quase duplicado ao longo
dos dois mandatos de Emmanuel Macron, atingindo 64 mil milhões de euros
anuais em 2027, em vez de 2030.Macron estabeleceu igualmente como prioridade para 2026 a reposição do serviço militar voluntário e remunerado.As
Forças Armadas planeiam recrutar 3.000 efetivos este ano (1.800 no
Exército, 600 na Força Aérea e Espacial, cuja campanha de recrutamento
acaba de começar, e 600 na Marinha), 4.000 em 2027 e 10.000 em 2030, com
o objetivo de atingir 42.500 efetivos em 2035.