França na quinta vaga com receio de paralisação do país
Covid 19
27 de dez. de 2021, 10:39
— Lusa/AO Online
Na véspera de o
Conselho de Ministros francês propor novas regras para travar o avanço
do novo coronavírus e assim evitar a “desorganização” do país projetada
esta semana pelo Conselho Científico que assessora o Governo, um grupo
de trabalhadores da saúde divulgou hoje uma carta polémica.Nela,
pedem o adiamento do retorno às aulas, previsto para 03 de janeiro de
2022, até que a incidência caia para níveis considerados seguros –
atualmente em torno de 650 casos por 100.000 habitantes, longe dos 200
do nível considerado aceitávelOs
50 profissionais de saúde de diferentes especialidades argumentam que
isso impedirá que a nova onda da pandemia agrave “o aumento sem
precedentes da síndrome inflamatória multissistémica” entre os mais
jovens, considerada a primeira causa de admissão de menores nas unidades
de cuidados intensivos (UCI).Segundo
esse grupo, os internamentos de crianças já superam as ondas
anteriores, com mais de 800 com menos de 10 anos, enquanto as de
adolescentes se situam em 300, “números que não param de crescer”.A
carta visa pressionar o executivo de Emmanuel Macron, muito relutante
desde o início da pandemia a fechar escolas pelo impacto negativo que
tem no desenvolvimento dos menores e na organização das famílias.“Se
o papel da escola é indiscutível, lamentamos os limitados meios
implementados até agora pelo Ministério da Educação para conter a
epidemia nas escolas”, denunciam os signatários, aludindo à falta de
filtros de ar ou a uma campanha “eficaz” de testes de despistagem.O
Governo francês prepara-se para aprovar na segunda-feira a tarde uma
nova série de medidas contra a covid-19 em Conselho de Ministros. Antes
do início da reunião, prevista para as 17:00 locais (16:00 em Lisboa),
Macron presidirá à reunião do Conselho de Defesa Sanitária, onde serão
dadas as diretrizes da nova lei.O executivo de Macron espera que a nova lei possa ser aprovada pela Assembleia Nacional em meados de janeiro de 2022.Entre
as novas medidas que entrarão em vigor, espera-se que a polémica
imposição da obrigatoriedade da vacinação seja a única opção para obter o
certificado sanitário, essencial para uma vida normal e que até agora
também poderia ser conseguido com um teste negativo.O objetivo, salienta a agência noticiosa espanhola EFE, é convencer os cinco milhões de franceses que ainda não foram vacinados.Também se admite suavizar as regras de isolamento para casos de contacto, que pode chegar a 17 dias para a variante Ómicron.A ideia é evitar a falta de pessoal que impeça os setores básicos de trabalhar normalmente por motivo de baixa médica.“Se
houver mais de 100.000 casos diários, isso equivale a dez casos de
contacto efetivos para cada caso. Isso, por sua vez, significa que há um
milhão de pessoas que teriam que ser confinadas”, avisou, nas colunas
do Journal de Dimanche, o prestigiado epidemiologista francês Antoine
Flahault.Ainda
nas páginas do mesmo semanário francês, o presidente da associação
patronal francesa, Geoffroy Roux de Bézieux, assume alguma preocupação
com os impactos económicos da quinta vaga, embora peça para
“"relativizar”.“Aprendemos
muito em dois anos de pandemia”, afirmou Roux de Bézieux, que insiste
que “não há motivo para pânico” quanto a uma possível escassez.O
líder empresarial esclareceu que o caso francês será diferente do
britânico, porque o vizinho Reino Unido, em dificuldades para manter a
atividade económica normal devido à variante da Ómicron, deixou um
milhão de empregos por preencher por “ter fechado as portas” aos
imigrantes.Com
104.611 novos casos em 24 horas, a França atingiu no sábado um pico sem
precedentes desde o início da epidemia, em março de 2020, segundo dados
divulgados no mesmo dia pela agência de saúde pública francesa.A
marca de 50 mil novos casos diários fora ultrapassada no dia 04 de
dezembro, o que significa que esse valor duplicou em apenas três
semanas.A
covid-19 provocou mais de 5,39 milhões de mortes em todo o mundo desde o
início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência
France-Presse.A
doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado
no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com
variantes identificadas em vários países.Uma
nova variante, a Ómicron, classificada como preocupante pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas
desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24
de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 89 países de todos
os continentes, incluindo Portugal.