França e Alemanha viabilizam 600 ME para transição energética na África do Sul
COP27
9 de nov. de 2022, 12:09
— Lusa/AO Online
"África do Sul, França e
Alemanha assinaram acordos de empréstimo para as duas nações europeias, a
fim de fornecerem 300 milhões de euros cada uma em financiamento
concessional à África do Sul de apoio aos esforços do país para reduzir a
sua dependência do carvão", anunciaram os três países através de
uma declaração conjunta. A África do Sul
obtém 80% da sua eletricidade a partir do carvão, um pilar fundamental
da economia que emprega quase 100.000 pessoas. Várias centrais elétricas
deverão ser encerradas até ao final de 2030. A
empresa estatal Eskom, que está endividada, é incapaz de produzir
eletricidade suficiente com as suas instalações envelhecidas e impõe
cortes contínuos de energia. Um plano de
investimento de 98 mil milhões de dólares (cerca de 97,6 mil milhões de
euros) para a transição energética da principal potência industrial
africana foi aprovado no início desta semana na cimeira da ONU sobre o
clima, em Sharm el-Sheikh, que teve início no domingo, na sequência de
um acordo de princípio alcançado no ano passado na COP26, em Glasgow. A
França, a Alemanha, o Reino Unido, os Estados Unidos e a União Europeia
tinham prometido 8,5 mil milhões de dólares (8,46 mil milhões de euros)
de apoio, com a ambição de fazer da África do Sul um exemplo de
cooperação na luta contra as emissões nos países em desenvolvimento. O
montante disponibilizado pela França e pela Alemanha, sob a forma de
empréstimos do banco de investimento público alemão (KfW) e da Agência
de Desenvolvimento Francesa (AFD), é a primeira fração desta ajuda.Os
dois países prometeram, cada um, mil milhões de euros para a África do
Sul, que necessitará de pelo menos 500 mil milhões de dólares (497 mil
milhões de euros) para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, de
acordo com o Banco Mundial. O Presidente
sul-africano, Cyril Ramaphosa, criticou repetidamente os países ricos
por prestarem ajuda aos mais pobres, principalmente sob a forma de
empréstimos que correm o risco de aumentar a sua dívida. Os
países do sul precisarão de mais de 2 biliões de dólares (1,99 biliões
de euros) por ano, até 2030, para financiar a sua ação climática, quase
metade dos quais provenientes de investidores externos, de acordo com um
relatório encomendado pela presidência da COP.