França e Alemanha condenam violações dos direitos das mulheres no Afeganistão
16 de ago. de 2024, 11:57
— Lusa/AO Online
No dia em que se assinalam três
anos desde que os talibãs retomaram o controlo do Afeganistão, a França
reiterou a sua condenação às “intoleráveis violações dos direitos das
mulheres e meninas” pelo regime islamita. “Com
as suas graves e repetidas violações dos direitos humanos, os talibãs
não respeitam as obrigações claras que lhes são impostas pela Resolução
2593 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 2021, que a França
continuará a denunciar”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros
francês em comunicado.O ministério
liderado por Stéphane Séjourné garantiu que Paris continuará a utilizar
todos os instrumentos à sua disposição para garantir que as condições de
vida da população afegã melhoram, “num contexto humanitário e económico
em constante deterioração”.Contudo, o
Governo do Presidente Emmanuel Macron deu especial ênfase à situação das
mulheres e raparigas afegãs e à decisão “inaceitável e injustificável”
de proibir o seu acesso ao ensino superior e ao trabalho em Organizações
Não-Governamentais (ONG).“Não pode haver
regresso à normalidade sem o fim da violência e das ameaças contra as
mulheres e o levantamento destas restrições. Ao eliminar as mulheres da
sociedade afegã e ao excluir, assim, metade da população da vida pública
e económica, estas graves violações tornam impossível qualquer forma de
desenvolvimento no país”, sublinha-se na mensagem.O
Ministério dos Negócios Estrangeiros prometeu ainda que a França
continuará a estar envolvida no apoio à população através de projetos
humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU) e de organizações
sem fins lucrativos no terreno.Também
hoje, a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock,
condenou as violações sistemáticas dos direitos das mulheres cometidas
pelo regime talibã.“Com a tomada do poder
pelos talibãs radicais islâmicos, as mulheres do Afeganistão estão a
sofrer as violações sistemáticas dos direitos humanos mais massivas do
mundo”, declarou Baerbock em comunicado.“Há
três anos que o regime desumano dos talibãs destrói, todos os dias, as
esperanças de milhões de mulheres e raparigas afegãs numa vida melhor e
mais livre”, acrescentou, lamentando que metade das afegãs não possa
fazer coisas como "irem sozinhas ao hospital, a restaurantes, cantar,
andar de cara descoberta ou frequentar a escola", em suma, "ser mulher".
Na sua declaração, Baerbock disse ainda
que a Alemanha apoia as mulheres, as raparigas e todos aqueles cujas
vidas estão ameaçadas pelos talibãs no Afeganistão e reiterou que o
regime fundamentalista de Cabul não poderá regressar à comunidade
internacional enquanto não cumprir as obrigações internacionais.