FPF propõe a criação de uma autoridade de combate à violência no desporto
25 de out. de 2017, 12:54
— Lusa/AO Online
Numa audição na Comissão de
Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República, o
líder federativo expôs também a sua preocupação com a escalada do clima
de ódio no futebol português, enfatizando, além das suas propostas, a
relação com a arbitragem, o comportamento dos adeptos e a ética entre
dirigentes.Nesse sentido, o presidente da FPF apresentou aos deputados quatro sugestões de mudança."A
criação de uma autoridade administrativa exclusivamente vocacionada
para a segurança e combate à violência no desporto, dotada de recursos e
não apenas de atribuições e competências", começou por referir.De
seguida, defendeu uma "maior eficácia na aplicação das medidas de
interdição de acesso a recintos desportivos”; apelou também a "mudanças
na política de apoios e regulação dos grupos de adeptos; e instou a
avaliação de uma "possível retirada de benefícios aos promotores na
comparticipação dos encargos com policiamento".O diagnóstico de
Fernando Gomes mereceu a concordância unânime dos diferentes partidos
representados no parlamento, embora quase todos tenham questionado o
dirigente se o atual quadro regulamentar e disciplinar tem falta de
recursos para aplicar os instrumentos disponíveis na FPF.Sobre
essa matéria, o presidente do organismo máximo do futebol nacional
reconheceu que a "FPF não tem intervenção nos regulamentos" e a sua
capacidade de intervenção é reduzida: "É só para ratificar ou não
ratificar o que é aprovado na Liga. Estamos disponíveis para ajudar no
sentido de criar um quadro sancionatório mais dissuasor".Ao longo
de cerca de hora e meia de discussão, o líder da Federação, que não
falou à comunicação social após a reunião, garantiu igualmente que o
organismo vai "aumentar a exigência em relação aos dirigentes", com a
imposição de um "curso de formação" para todos os que se sentarem no
banco em competições nacionais.Como consequência da análise à
postura dos dirigentes, Fernando Gomes lamentou ainda a existência de
vários programas de opinião e comentário na televisão. "Gostaria que esses programas fossem efetivamente sobre futebol. Estaríamos muito contentes se isso acontecesse", afirmou.Paralelamente,
o presidente da FPF deixou a porta aberta a eventuais alterações à Lei
de Bases e ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, a fim de
promover a "civilidade, convívio e ‘fair-play’", reiterando a
disponibilidade para colaborar com todos os agentes envolvidos no
desporto.