Fóssil com seis milhões de anos encontrado nos Açores em museu na ilha do Faial
12 de nov. de 2019, 10:00
— Lusa/AO Online
Na
inauguração da exposição, organizada pelo Observatório do Mar dos
Açores, integrada no Dia Internacional dos Museus e Centros de Ciência,
estiveram presentes dois investigadores da equipa que estudou o fóssil –
o paleontólogo João Muchagata Duarte e o biólogo Rui Prieto – e o
armador Jorge Gonçalves, da embarcação de pesca “Manuel de Arriaga”,
cuja tripulação o encontrou acidentalmente.O
fóssil pertencente à espécie ‘Tusciziphius atlanticus’, que habitou o
Atlântico na passagem do Miocénico para o Pliocénico, entre 3,6 e 7,3
milhões de anos atrás, segundo o Observatório do Mar dos Açores foi
encontrado em outubro de 2017 quando a embarcação “Manuel de Arriaga”,
ao içar o aparelho de pesca na zona do Banco Açor, encontrou um objeto
estranho que "parecia feito de pedra, tinha um som metálico e a forma
aproximada de um crânio de golfinho". O
armador Jorge Gonçalves decidiu então mostrar o achado aos
investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade
dos Açores, que começaram a investigação, permitindo apurar "novos
dados" sobre a biodiversidade dos cetáceos dos Açores e sobre a história
natural do arquipélago.De acordo com o
Observatório do Mar dos Açores, o corpo do cetáceo “terá ficado
depositado na encosta do Banco Açor, onde, numa primeira fase, terá sido
devorado por tubarões e outros animais necrófagos, incluindo vermes
marinhos que se alimentam de ossos”, tendo a atividade sísmica
“soterrado o esqueleto da baleia”.Os
especialistas adiantam que “muito tempo mais tarde e devido à ação de
correntes marinhas, o crânio, agora já fossilizado, ficou novamente
exposto”.Este é o primeiro fóssil da
espécie encontrado na região, sendo que os restantes foram registados na
costa ocidental da Península Ibérica (quatro) e um na costa oriental
dos Estados Unidos da América. A datação
do fóssil, com idade máxima estimada de 6 milhões de anos, foi calculada
com recurso a cruzamento de dados geológicos, químicos e outros. Este
tipo de baleia mergulhava a grandes profundidades, usava a
ecolocalização e era "bastante esquiva, comparada com outros cetáceos".