Fórum para os refugiados realiza conferência para avaliar resultados
Migrações
14 de dez. de 2021, 18:09
— Lusa/AO Online
A
primeira edição do fórum - que teve lugar em meados de dezembro de
2019, em Genebra - pretendeu traçar uma resposta coletiva aos movimentos
massivos de deslocados: governos e instituições prometeram milhares de
milhões de euros e comprometeram-se em várias áreas, desde a energia à
educação.Hoje e quarta-feira, funcionários
governamentais e várias organizações reúnem para uma primeira
conferência de acompanhamento deste Fórum, que será realizada a cada
quatro anos.“Hoje, os resultados são
mistos: os países com menos recursos continuam a assumir a maior parte
da responsabilidade”, sublinhou o alto-comissário das Nações Unidas para
os Refugiados, Filippo Grandi, num comunicado.Cerca
de 80% das pessoas deslocadas no mundo estão em países pobres ou em
desenvolvimento, enquanto o número de pessoas que fogem de guerras,
perseguições e abusos atingiu o valor recorde de 82,4 milhões, um número
duas vezes maior do que havia há 10 anos, de acordo com a ONU.Esta
conferência de acompanhamento "será uma oportunidade para identificar
as lacunas" atuais e "para fazer novos compromissos" para a segunda
edição, em 2023, acrescentou o Alto Comissariado para os Refugiados
(ACNUR).Desde o final de 2019, “o mundo
foi atingido pela terrível pandemia de Covid-19, novos conflitos
surgiram e a deslocação forçada continuou a aumentar - o que confirma a
necessidade de uma resposta mais equitativa, inclusiva e sustentável”.A
organização não-governamental Fórum Refugiados-Cosi, que participa
nesta conferência, pediu aos governos para “fortalecerem os seus
compromissos” com esta causa e insistiu na "urgência de alargar o acesso
aos países de refúgio através de meios legais e seguros", bem como o
"fortalecimento do acesso a vias complementares", como a reunificação de
famílias ou a emissão de vistos humanitários.Apesar
das promessas, as dissensões entre os países emergentes - que se
consideram deixados à sua própria sorte - e os países ricos
espalharam-se no Fórum, durante o qual o alto-comissário Grandi tinha
afirmado que "o asilo deveria continuar a ser uma realidade em todas as
partes do mundo, mesmo nos países ricos - aliás, sobretudo nos países
ricos”.